Claudia Tajes trabalha em criação publicitária, escreveu alguns roteiros para televisão e tem 6 livros publicados, entre eles Dez (Quase) Amores, As Pernas de Úrsula, A Vida Sexual da Mulher Feia e Louca por Homem.
Então parece que todo mundo voltou da praia e o Sarau recomeça no dia 2 de março. Antes disso, no domingo que vem, dia 28, tem Grêmio e Novo Hamburgo na final da taça
Fernando Carvalho. Nada como voltar à rotina em grande estilo.
Chaplin roubou o grande amor de J.D. Salinger, diz biografia
Londres - O primeiro amor de J.D. Salinger, escritor que morreu quinta-feira, em New Hampshire (EUA), foi Oona O'Neill, filha do famoso dramaturgo americano Eugene O'Neill e que foi tirada dos braços do autor de "O Apanhador no Campo de Centeio" por Charlie Chaplin.
Segundo o livro "A Life Raised High", escrito por Kenneth Slawenski, biógrafo de Salinger, o rompimento de Oona com Salinger e o casamento dela com o comediante britânico foram "a grande tragédia romântica da vida" do escritor.
"Não havia como escapar daquilo: as capas dos jornais estampavam fotos de Chaplin enquanto tiravam as impressões digitais dele em um caso de investigação de paternidade", escreveu Slawenski em seu livro, que teve trechos publicados hoje pelo jornal "The Times".
"Os jornais também publicaram artigos em que o ator era acusado de montar uma armadilha para a jovem e inocente filha do dramaturgo favorito da América, em um diabólico caso de tráfico de brancas para prostituição", acrescenta.
"O episódio também foi publicamente humilhante para Salinger. Todo mundo sabia quais eram seus sentimentos por Oona O'Neill. Os companheiros do Exército aos quais ele, orgulhoso, tinha mostrado fotos de Oona agora se compadeciam", diz a biografia.
Apesar de tudo, "o orgulho e a tenacidade de Salinger o impediram de se lamentar em público". "Pelo contrário, ou fez caso omisso do ocorrido ou fingiu uma indiferença impassível".
"Fora reclamar de incessantes mas leves problemas de saúde, Salinger evitou mostrar qualquer sinal de ressentimento. Só em julho daquele ano (1941) é que ele finalmente admitiu que odiava Chaplin", conta Slawenski.
Ontem, no Sarau do Humberto Gessinger, que foi tri bom, lemos a lista das maneiras educadas de dizer que se vai aos pés. Aliás, expressão que a dona Katia Suman e eu não entendíamos, até que um moço da plateia explicou: ir aos pés, expressão que ninguém usa e muito menos entende fora do Rio Grande do Sul, é porque a pessoa se acocora na hora de fazer as necessidades. Quer dizer, se acocorava antes da invenção da patente, outra denominação para privada que só se usa em terras gaúchas. Segundo o Humberto Gessinger, é uma expressão do tempo em que se usava um sabugo para fazer a higiene, no pré-desenvolvimento do papel higiênico.
O fato é que, quando tudo começou, essa lista era para ser lida no Sarau do Vítor Ramil sob o título: Maneiras educadas de um pelotense dizer que vai aos pés. Isso porque Pelotas tem a merecida fama de cidade refinada. Só que a lista ficou deslocada demais diante da elegância do Vítor e volta agora dirigida não apenas aos pelotenses, mas aos gaúchos educados de todas as querências.
Aí vai.
MANEIRAS EDUCADAS DE SE DIZER QUE VAI AOS PÉS
Eu vou abolir o apartheid. Eu vou abrir a gaiola do João de Barro.
Eu vou afundar o navio negreiro. Eu vou apontar a luneta pro bueiro.
Eu vou arrancar a cabeça do Playmobil. Eu vou botar a carta de alforria no correio.
Eu vou colocar um BBB no paredão. Eu vou conhecer o Ari Barroso.
Eu vou construir uma barragem. Eu vou contar azulejos.
Eu vou cortar o rabo do macaco. Eu vou dar banho no mulato.
Eu vou dar um tchau pra um amigo que vem do interior e está indo pro rio. Eu vou depositar no Bank of Boston.
Eu vou desatolar a carroça. Eu vou descomer.
Eu vou escorregar o milkybar. Eu vou fabricar a perna que o saci perdeu.
Eu vou fazer rapel sentado. Eu vou inundar Chicago.
Eu vou na casa do Pedrinho. Eu vou levar o Mussum pro riacho.
Eu vou liberar o Robinho da concentração. Eu vou ligar a máquina de churros.
Eu vou mandar o elevador pro térreo. Eu vou matricular o Pelé na natação.
Eu vou mergulhar o Toblerone. Eu vou murchar as flores do azulejo.
Eu vou nocautear o Maguila. Eu vou parir a sucuri.
Eu vou passar um fax pro Coronel Barroso. Eu vou pintar a porcelana de arte barroca.
Eu vou romper o pacto de Kyoto. Eu vou soltar a marmota da toca.
Eu vou submergir o Kursk. Eu vou testar se o Blackberry é à prova d’água.
Eu vou tirar o plástico da mortadela.
Ideia superbacana do pessoal da Livraria Cultura. Lembrando os 29 anos da morte de Nelson Rodrigues, o pessoal estreou em dezembro uma peça que reúne situações,citações e personagens da obra de Nelson. Pouco amor não é amor é a história de Jurema, uma jovem que, às vésperas do casamento, passa a ter dúvidas sobre o passado de seu noivo, Afrânio, graças às intrigas de sua melhor amiga, Alaíde, e de um grupo de companheiros nada confiáveis do futuro esposo.
O texto é de Clênio Viégas. No elenco, Alvaro Chaves Neto, Clênio Viégas, Daniele Canez, Dayane Gomides, Ederson Quadros, Fernanda Copetti, Fernanda Romão, Juliana Goulart, Katia Sousa, Leonardo Carneiro, Lizandra Mendes, Mely Paredes e Rodrigo Corrêa.
Serão duas apresentações: dia 23 de janeiro, às 20h, e dia 24 de janiero, às 18h, no auditório da Livraria Cultura, no Bourbon Country. O ingresso é um quilo de alimento não perecível.
Pra todos os amigos do Sarau e, muito especialmente, pra todos os queridos que participam do blog e me acompanham em tudo, um superfeliz Natal cheio de coisas boas. E um 2010 com tudo de melhor que a gente merece. É muito legal ter uma turma tão bacana por aqui. E dia 5 a coisa recomeça lá no Ocidente. Um beijão!
Teria que confirmar com os professores Fischer e Moreno para ter uma certeza acadêmica do que vou dizer, mas me parece que está havendo um erro semântico quanto ao uso do adjetivo "anímico". No meu tempo de leitora de poesias clássicas, que já vai longe, anímico tinha a ver com alma (e o Houaiss confirma isso). Mas da forma como os narradores e comentaristas esportivos gastam sem dó a palavra hoje em dia, anímico tem a ver com ânimo. O estado anímico dos jogadores sofreu um abalo, o time está animicamente decrescente e outras formas, muitas delas, são ouvidas até cansar durante a transmissão de um jogo de futebol. Se alguém souber responder, por favor: "anímico" ganhou outro sentido e eu é que não sei?
(Claudia Laitano, a cronista convidada do último Sarau de 2009, levou um texto dos mais bacanas: o prêmio dado a pior descrição de sexo do ano na literatura de língua inglesa. E o grande vencedor do período foi ninguém mais, ninguém menos, que o grande Philip Roth. Aí vai.)
Todos os anos, a revista Literary Review, de Londres, premia com o Bad Sex Award o autor da pior, menos excitante e mais canhestra cena de sexo da ficção. Uma disputa sempre duríssima num dos terrenos mais traiçoeiros que um escritor pode enfrentar. E os vencedores, ao contrário do que se pode esperar, são sempre nomes consagrados da literatura em língua inglesa.
Em 2008, o prêmio foi dado postumamente a Norman Mailer por “O castelo na Floresta” (Companhia das Letras, tradução de Pedro Maia Soares), ficção histórica sobre os anos de formação de Adolf Hitler. Eis um trecho da cena campeã, na página 68 da edição brasileira: Assim, Klara virou-se para os pés da cama, pôs sua parte mais indecente sobre o nariz e a boca ofegantes de Alois e tomou em seus lábios seu velho aríete de guerra. "Titio" estava tão mole quanto um rolo de excremento. Não obstante, ela o chupou com uma avidez que só poderia vir do Maligno – isso ela sabia. Era de lá que aquele impulso tinha de vir. Assim, ambos estavam agora com as cabeças no lado errado, e o Maligno estava ali. Jamais estivera tão perto.
O Sabujo começou a voltar à vida. Dentro de sua boca. Foi uma surpresa para ela. Alois estivera tão flácido. Mas, agora, era homem de novo! A seiva de Klara escorria de sua boca, ele virou-se e cingiu o rosto dela com toda a paixão de seus lábios e sua face, pronto finalmente para moê-la com seu Sabujo…
Neste ano de 2009, o premiado foi o hoje considerado maior escritor vivo em língua inglesa, o americano Philip Roth, por The Humbling (“A Humilhação”), seu livro recém-lancado nos Estados Unidos, que ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. O livro narra a história de sedução entre um velho ator de teatro e uma lésbica, com direito a um terceiro e marcante personagem: um consolo verde. Pelo absurdo da trama e pelas cenas de sexo descritas,
ninguém poderia duvidar que ele mereceu o prêmio (a tradução é do site especializado em literatura O Livreiro):
Ele deixou que Pegeen se autoproclamasse a líder e se propôs não participar até ser convocado. Ele olharia sem interferir. Primeiro, Pegeen pisou na geringonça, ajustou e firmou as correias de couro e posicionou o consolo de forma que ele apontasse para fora. Então ela agachou sobre Tracy, pincelando seus lábios e mamilos com sua boca e bolinando seus seios, e então ela deslizou para baixo e vagarosamente penetrou Tracy com o consolo. Pegeen não teve que forçá-la. Ela não teve que dizer nada – ele imaginou que se qualquer um deles começasse a falar, seria em algum idioma desconhecido para ele. O pau verde entrava e saía do corpo abundante embaixo dele, primeiro devagar, então mais rápido e mais forte, então ainda mais forte, e todas as curvas e gemidos de Tracy se moviam em uníssono com ele. Não era soft porn. Não eram mais duas mulheres despidas trocando carícias e beijos em uma cama. Havia algo de primitivo naquilo agora, uma violência de mulher contra mulher, como se, naquele quarto cheio de sombras, Pegeen fosse uma mescla mágica de xamã, acrobata e animal.
Que nesta segunda enfrenta a banca. Tudo de bom e entra lá com a tradicional garra tricolor. Beijo (certamente de todo o pessoal do blog) e muito sucesso.
Desceram a lenha no novo livro do Paul Auster. Quem se importa?
A notícia é do final de novembro, mas eu só li agora. A New Yorker, a tradicional revista literária americana, trouxe um artigo do crítico James Wood, considerado o mais importante crítico de literatura em língua inglesa do mundo, metendo o pau não apenas no mais recente livro de Paul Auster, Invisible, que acaba de ser lançado nos Estados Unidos, como em toda a obra do escritor americano.
Com o título de Covas Rasas, o artigo chama Auster de "um pós-modernista de almanaque, um diluidor que incorpora de modo ornamental e chamativo ("Atenção, eu sou pós-moderno!") elementos como a narração autorreflexiva, o ceticismo e o pastiche a histórias que no fundo exprimem uma visão de mundo convencional, impregnada de clichê e sentimentalismo".
E não para por aí.
"Paul Auster é, provavelmente, o mais conhecido romancista pós-moderno dos Estados Unidos; sua "Trilogia de Nova York" deve ter sido lida por milhares que geralmente não leem ficção de vanguarda. Auster claramente compartilha [com autores modernos e pós-modernos] um compromisso com a mediação e o tomar emprestado - daí seus enredos com jeito de cinema e diálogos de segunda linha - e no entanto ele não faz nada com o clichê a não ser usá-lo".
(...)
"Auster é sempre mais solene naqueles momentos de seus livros que são os menos plausíveis e os mais insípidos.(...) O resultado é que ele, com frequência, consegue o pior de ambos os mundos: realismo fake e ceticismo superficial. As duas fraquezas estão relacionadas. Auster é um contador de histórias envolvente, mas suas histórias são asserções em vez de persuasões. Elas se declaram; elas perseguem a próxima revelação. Como nada é construído de modo persuasivo, a desconstrução pós-moderna deixa o leitor em boa parte intocado".
O crítico é influente, é cabeção e deve saber o que está falando. Para o leitor, na minha opinião, nada disso importa. Paul Auster é um dos grandes escritores vivos de hoje, e não por obra do marketing. Ele É grande. Resta esperar o lançamento de Invisible e discordar do James Wood com conhecimento de causa (eu não li ainda e já discordei).
Pra calar a boca de quem dizia que o Grêmio ia entregar, o jogo foi limpo e nosso time apenas confirmou o que fez no campeonato inteiro: não ganhou. Menos mal, dessa vez. Mas não acho que nenhuma honra ficou pelo caminho e nenhuma história foi abalada. Azar de quem dependia do resultado dos outros para ser campeão.
A todos os que jamais prejudicariam um time rival (!) e nunca entraram com reservas em campo numa final de campeonato(!), a homenagem deste blog.
POEMA EM LINHA RETA
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Amanhã, como fizemos durante todo o Brasileirão, meus poucos parentes e eu assistiremos a Flamengo X Grêmio aqui em casa. Deu errado durante todo o campeonato (o Grêmio geralmente perdeu) e deverá dar certo amanhã, com a vitória do Flamengo.
Mas que dá uma dor no coração não querer que o time da gente ganhe, isso dá.
Saída do treinador foi anunciada após derrota para o Corinthians
A diretoria do Atlético-MG anunciou neste sábado, logo após a derrota da equipe para o Corinthians por 3 a 0, a demissão do técnico Celso Roth. O treinador assumiu o time mineiro após ser demitido pelo Grêmio.
(Tá na zerohora.com. Esse não acerta a mão mesmo.)
Na remota e inviável hipótese do Grêmio ganhar do Flamengo, imaginem a flauta que a gente teria que aguentar dos colorados. Imaginem a Katia, o Fischer e o Moreno dizendo que sabiam que o Grêmio ia ajudar o Inter. Imaginem os colorados falando que o Grêmio deu o título para o Inter, que o Grêmio trabalhou para o Inter, que o Grêmio serviu de escada para a glória do Inter.
Quanto mais eu penso nesse assunto, mais encontro nobres e plausíveis justificativas para não querer a nossa vitória no Maracanã. O Zé Pedro Goulart defende que o Grêmio pode ganhar do Flamengo e levantar a bandeira da honra por toda a eternidade. Mas alguém deu a mínima quando chamaram o Brasil de Campeão Moral da Copa? O Marcos Rolim tem um argumento convincente para não entregar: seria usar da mesma malandragem que a gente tanto condena na política.
Ele está certíssimo. Por isso, a saída não é entregar. É apenas deixar de ganhar e deixar de empatar.
Programa do Tricolor para o jogo de domingo que vem
(Copiei do meu amigo gremista Maurício Oliveira. Antes que o Campeão do Mundo Fifa me chame de vadia de novo: é apenas uma brincadeirinha, viu?)
Sábado
12:00 - Embarque para o RIO
15:00 - Cerveja na beira da Praia de Copacabana
17:00 - Futevôlei com Edmundo e Ery Johnson
18:00 - Banho de mar e uma cervejinha
18:45 - Maxi Lopez dá uma volta de bicicleta pelo calçadão e Souza vai comer um xis.
19:30 - Rospide faz uma roda de samba com Zeca Pagodinho e Júnior (Ex-Fla)
21:00 - Janta
22:00 - Banho
22:30 - Inicio da concentração na casa do Adriano. Douglas Costa sobe o morro.
24h00min - Souza, Maxi Lopez e Leo Moura vão buscar umas mulher e, como já é tarde, Mario Fernandes volta para o Hotel.
Domingo
02:00 - Putaria total na casa do Adriano 15 jogadores e 25 mulatas, Victor se envolve em uma briga num baile funk.
05:00 - Jogadores vão embora da casa do Adriano.
05:30 - Jogadores são vistos metendo um hot dog na rua.
06:30 - Todos os atletas se encontram no hotel descansando, menos o Douglas que ainda não voltou do morro.
12:00 Thiego é cortado do jogo porque pediu concentração total na partida
16:45 - Jogadores chegam no Maracanã.
17:00 - Time do Grêmio entra em campo.
19:00 - MENGÃO CAMPEÂO.
19:45 - Chopp na Gávea.
21:30 - Douglas Costa volta do morro.
22:00 - Retorno a Porto Alegre.
24:00 - Chegada em Porto Alegre com recepção triunfal da Geral do Grêmio
É o que pergunta o Fabrício Carpinejar sobre uma possível entrega de jogo do Grêmio. E quando o Inter entregou para o São Paulo no ano passado, qual teria sido a pergunta do Fabrício?
Mais detalhes no blog de futebol do Carpinejar e do Mário Corso, com uma amostra aqui:
O Inter fez sua parte vencendo o Sport, a outra parte é mais cara
O blog Rolo Compressor tenta acompanhar a mudança inédita de lado da torcida gaúcha: gremistas torcem contra o Grêmio e colorados torcem pelo tricolor.
Se deixar o Flamengo vencer no próximo domingo (6/12), seus jogadores abandonarão sua masculinidade e a fama farroupilha (no retrospecto de Marcelo Rospide, são duas vitórias e um empate, a tendência seguia para o alto).
Todo o país estará assistindo ao vexame de um dos maiores times brasileiros, capaz de se rebaixar a um conchavo. E não importa se jogarão com reservas, juniores ou dente de leite, é a estima da camisa que está na vitrine. O valor dela mais do que o preço. Ficará conhecido como o clube que entregou o campeonato. Por longo e maldito tempo. Daí pode tirar definitivamente a espada da mascote. O mosqueteiro seguirá desarmado para o Juízo Final."
Amigos colorados que estão morrendo de raiva porque acham que o Grêmio vai entregar para o Flamengo: não é que o Grêmio vá entregar. É que o Grêmio não ganha fora de casa. Se ganhasse, estaria em outra situação hoje. É incrível que os co-irmãos não se deem conta dessa verdade tão simples.
.Este pobre blog anda muito abandonado. Não é uma promessa, porque tenho furado todas as que faço aqui, mas tentarei reverter esse quadro.
.Se me permitem convidar, o Sarau da próxima terça, dia 24, vai ser dos melhores: Sarau da Paixão Solitária, com a presença do Imortal e autor do Livro do Ano no Prêmio Jabuti, Moacyr Scliar. Com uma atração extra: o profe Fischer prometeu explicar a diferença técnica entre bronha e punheta. Imperdível.
.Depois de levar uma flauta danada dos meus queridos profes Fischer e Moreno e da colorada-símbolo Katia Suman no Sarau passado, foi com orgulho ímpar que vi o Grêmio vencer o Palmeiras na quarta. Só pra acabar com essa história de que a gente ia entregar de propósito. Falem agora!
.Um amigo mandou essa lista que, diz ele, é o resultado oficial da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. Se for mesmo, a Barata ficou entre os vampiros. E eu fiquei bem feliz!
Ficção
Amanhecer - Stephenie Meyer
Crepúsculo - Stephenie Meyer
A Cabana - William P. Young
Só as Mulheres e Baratas Sobreviverão - Claudia Tajes
Lua Nova - Stephenie Meyer
Não-ficção
Receitas Fáceis - Anonymus Gourmet - Jose Antonio Pinheiro Machado
Marley e Eu - John Grogan
Kama Sutra Para Mulheres - Angela Machado e Vinod Verma
O Homem Voa! A Vida de Santos Dumont - Nancy Winters
Michael Jackson – Um Tributo ao Rei do Pop - James Aldies
.Como diria o Anonymus Gourmet, voltaremos. E antes que o final de semana se vá. Beijos tricolores pra todo mundo.
Um post pra agradecer aos queridos amigos do blog que estiveram no meu lançamento na Feira, sexta passada, e a todos que deixaram mensagens aqui: Anna Schuh e suas flores lindas (como dá pra ver acima), Sabriníssima, Ricardo Rodrigues, Rodrigo Germano, Fabrício Sortica, Juliano (que é técnico de futebol!), Cláudio Coloradaço, Ísis R., Márcio e Lília do Cruzeiro de BH, Dany, Geraldo e Sander Machado. Tô muito bem de turma! Valeu e um beijão!
Finados. Um dia perfeito para tricolores e colorados
Parabéns pra quem fez a manchete de capa do Caderno de Esportes da Zero Hora de hoje: Finados. Dirigentes, treinadores e jogadores enterrando o sonho das suas torcidas.
Interessante é que aquele rapaz que vem aqui no blog pra me xingar, o príncipe Jajá cover, dessa vez não apareceu. Por que será?
Só as mulheres e as baratas sobreviverão, de Claudia Tajes
Qual a sua fobia? A de Dulce, produtora fotográfica batalhadora, trinta e muitos, são as baratas. Como num pesadelo, numa noite de sábado em que se prepara para mais um encontro com um potencial pretendente, ela se depara, ao sair do banho enrolada na toalha, com uma barata descansando em cima do vestidinho preto básico escolhido para a ocasião.
Dando vazão à sua fobia (e a de 99% das mulheres, diga-se), Dulce bate a porta do closet, e tem início uma noite como nenhuma outra. Com a barata do outro lado da porta, e imobilizada pelo medo, essa protagonista humana, demasiado humana, repassa a própria vida. Numa espécie de sessão de terapia sui generis, tem-se um vislumbre das dores e das delícias da vida de solteira nos dias de hoje, das frustrações, expectativas e paixões segundo Dulce, em horas de lamentos e risos que deixam o leitor pedindo mais.
Pensando friamente e no meu caso particular, eu não posso reclamar de nada.
Tenho um filho maravilhoso que se encaminha para ser um ótimo homem. Tenho um trabalho mais bem remunerado que a média, ainda que tire meu couro. Tenho amigos e leitores que gostam do que eu faço e gostam de mim. Tenho um cidadão que também diz que gosta, e eu acredito. Tenho o Sarau Elétrico. Tenho perspectivas, enfim.
Com tudo isso, acho que me faltam motivos para estar arrasada só porque o Grêmio perdeu mais um jogo.
Mas eu estou.
(E para o Victor, meu apoio e gratidão irrestritos. O crédito dele é muito maior que a infelicidade de hoje.)
O Presidente e visionário Duda Kroeff anunciou: Luiz Onofre Meira, prestigiado, continua no Grêmio até o fim de 2010. Mas Meira impôs condições: se não puder contar com pessoas da sua mais absoluta confiança na equipe, prefere trabalhar sozinho.
Se o Didi Mocó, o Chapolin e o João Kleber já estiverem acertados com outros clubes, o pobre Meira vai passar o ano inteiro ralando solitário.
Agora resta ao Meirão torcer para o João Kleber não ser contratado pelo Inter.
"Sem a Bíblia, um livro que teve muita influência em nossa cultura e até em nossa maneira de ser, os seres humanos seriam provavelmente melhores".
José Saramago sobre Caim, seu livro recém-lançado, que conta em tom de ironia a história do filho de Adão e Eva que matou o próprio irmão. E mais Saramago sobre o livro dito santo:
"A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana".
(Trechinho de um conto do meu livrito novo. Um post de risco que pode afastar os queridos leitores. Tomara que não!)
Gene recessivo
Se a moral da história é você passar um terço da vida estudando e então trabalhar em alguma coisa de que realmente goste para não ser um adulto frustado pelos dois terços restantes da vida, então eu sou mais feliz que todo mundo.
O que eu realmente gosto não precisa de estudo para ser executado e é tão agradável e reconfortante que não pode ser considerado um trabalho.
Não lembro exatamente quando foi que me decidi por esse caminho. Talvez tenha sido durante uma aula interminável de biologia, a pior de todas as matérias que fui obrigado a decorar. Em compensação, também foi nas aulas de biologia que aprendisobre o funcionamento do órgão sexual masculino, e alguma importância isso teve na profissão que resolvi seguir.
Eu não tinha mais do que quatorze anos e só pensava no glorioso dia em que faria sexo pela primeira vez. Esse pensamento ocupava todo o meu tempo, principalmente as manhãs, turno em que que frequentava o colégio. De uns tempos para cá, crianças que não conseguem prestar atenção na aula são diagnosticadas como portadoras de déficit de atenção. Meu caso era diferente. Minha atenção estava cem por cento concentrada na expectativa do meu primeiro ato sexual, o primeiro dos milhões que viriam a seguir, e não havia ensinamento de álgebra ou gramática que pudesse concorrer com isso.
Enquanto meus colegas, com maior ou menor dificuldade, evoluíam para a meiose, a mitose, as mitocôndrias e o Complexo de Golgi, eu seguia na mesma série, vendo e revendo a categoria dos poríferos. Por causa dessas criaturas inferiores cujo modo de reprodução até assexuado é, perdi três anos da minha vida. E ainda hoje não entendo por que saber alguma coisa sobre elas seria importante para a minha formação.
Enfim terminei o colégio, e não houve argumento capaz de me convencer a fazer a obrigatória inscrição no vestibular. Minha mãe disse que eu não seria nada na vida, e não posso culpá-la por tal reação. Até aquele momento, eu nunca tinha falado sobre os meus planos, e também não acredito que meus pais concordassem com eles.
Aos dezenove anos, eu estava pronto para ser um ator pornô.
...
Por que um ator pornô?
Se quem gosta de tênis quer ser tenista, quem joga futebol deseja jogar profissionalmente e quem se dedica a escrever sonha em ser escritor, nada mais lógico que alguém que se interessa muito por sexo ter a ambição de ganhar a vida com o sexo.
Ainda não falei de uma particularidade que desde muito cedo observei em mim, durante os banhos em conjunto com os meus primos e nos vestiários das piscinas: meu pênis sempre foi muito menor que o dos outros, a ponto de causar espanto entre os que o viam. A todos, eu sempre respondi que ele era assim somente em estado de repouso, convidando quem o desejasse para conhecer suas reais possibilidades. O que ninguém poderia saber é que, em repouso ou não, seu tamanho não variava quase nada. Seis centímetros relaxado, quase oito com os corpos cavernosos inundados de sangue, conforme os ensinamentos das aulas de biologia.
Atores pornôs se caracterizam, via de regra, por seus grandes e balançantes membros, que quase parecem possuir vida própria, dada a quantidade de movimentos que são capazes de executar. No meu caso, imaginei que a modesta centimetragem servisse como um diferencial. Assim como muitos cachorros, cavalos, anões e hermafroditas fizeram carreira no cinema adulto como coadjuvantes dos bem-dotados, eu poderia também encontrar o meu espaço. “O Menor Pênis das Telas”, “A Miniatura Perfeita”, “Minúsculo e Incansável”. Eu tinha preparado um estoque de frases de efeito a respeito de mim mesmo, e só precisava de uma oportunidade para torná-las realidade.
O fato é que eu era um atô pornô em potencial, mas continuava virgem. E teria que resolver esse impasse antes de partir, de mala e cuia, para tentar a carreira em São Paulo.
Da minhaaparência, não tenho queixas. Há dois ou três anos, algumas garotas do colégio espalharam que eu seria igual ao Brad Pitt, se o ator americano fosse atropelado e pegasse varíola. Na época eu havia desenvolvido uma acne violenta, que curei com uma fórmula caseira e mau-cheirosa da minha mãe, tão eficaz que sumiu até com as cicatrizes. O corpo eu trabalhei com pesos e exercícios puxados, porque um ator pornô pode até ter o pênis pequeno, segundo me parece, mas jamais poderia se apresentar com a barriga grande e flácida ou pernas de marido, que era como o meu pai chamava os próprios gambitos sem músculos. Ao fim do meu programa dermatológico e físico, eu não estava parecido com o Brad Pitt, e nem precisava. As garotas se jogavam para mim nas aulas, nas festas e nas lanchonetes e, se não perdi a virgindade com nenhuma delas, foi apenas por medo de que alguma fofoca sobre o tamanho do meu membro se espalhasse pelo colégio.
O assunto teria que ser resolvido longe da vizinhança onde eu morava. Por isso, naquela noite, tomei o banho mais demorado dos meus dezenove anos, coloquei uma camiseta sem estampa que me deixava mais adulto e, depois de dizer que ia conversar na casa de um amigo, fui de ônibus até o centro da cidade, região cheia de bordéis e boates. Levava no bolso, amassadas, as notas que vinha surrupiando há mais de uma semana da carteira da minha mãe.
Eu precisava pagar pouco e escolhi a boate que me pareceu frequentada pelo público mais humilde, trabalhadores nanicos e pardos da construção civil e velhotes com os botões das camisas tortos. Assim que entrei, várias mulheres feias e gordas tentaram atrair minha atenção. Por um momento, os outros clientes da casa ficaram apenas com suas cervejas mornas a lhes fazer companhia.
Acabei me decidindo por uma mulher mais velha, ou mais maltratada, possivelmente com filhos, o que deveria tê-la tornado compreensiva e tolerante, segundo o catecismo ensinava sobre a maternidade. A caminho do quarto, a mulher, que disse se chamar Vanessa, perguntou se era a minha primeira vez e iniciou uma procura um tanto estabanada por dentro das minhas calças.
-Relaxe, querido. Eu quero ver como você fica.
Eu já estava excitado, mas Vanessa não notava. E talvez nem tenha percebido o momento exato em que, poucos minutos depois, a minha vida sexual foi oficialmente inaugurada.
...
Candidatas a babás apresentam referências de antigas patroas, candidatos a motoristas apresentam a carteira de habilitação, candidatos a publicitários apresentam uma pasta de trabalhos. O que eu deveria apresentar para conseguir um papel em um filme pornô?
Passei dias inteiros na internet em busca de sites de produtoras e também de revistas e casas de espetáculos pornográficos. Fazer shows de sexo ao vivo não era exatamente o meu objetivo, mas poderia me abrir as portas para o cinema. Não sei como eu me comportaria diante da platéia com uma única experiência sexual no currículo, mas era algo que me assustava bem menos do que uma prova sobre o ácido desoxirribonucleico.
Escrevi para vários sites, me coloquei à disposição para entrevistas, propus viajar para São Paulo ou onde mais fosse preciso, mas as respostas não chegavam. Para conseguir o isolamente de que eu necessitava, disse à minha mãe que estava estudando para um concurso dos Correios, o que manteve a porta do meu quarto fechada e a família afastada por vários dias.
Às vezes eu encontrava antigos colegas do colégio, a maioria já na faculdade. Aos que queriam saber de mim, eu dizia que estava por fechar um grande contrato. Era engraçado ver o descrédito na cara deles. Um casal que estudou comigo em uma das oitavas séries que fiz, e que então já namorava, havia noivado e mais: agora os dois cursavam biologia juntos na faculdade. Impressionante a capacidade de alguns de jogar a vida fora.
Cansado de passar os dias no computador esperando o e-mail de algum diretor de cinema, decidi usar o método padrão dos candidatos a emprego e apresentar minhas credenciais. Para isso, fiz uma série de fotos de mim mesmo, nu, sempre em estado de ereção, comprovando o que havia ouvido uma vez: incrível como uma máquina fotográfica apontada para o pênis tem efeito afrodisíaco.
Bati cerca de vinte fotos, mas o resultado não ficou bom. Em todas elas, o contraste entre o meu corpo forte e definido com o membro pequeno demais beirava mais o artístico que o pornográfico, com certeza por culpa de Michelângelo e o Davi de pinto infantil. Por mais que eu fizesse cara de tarado, ou simulasse um orgasmo, ou acariciasse o meu pênis com suposta lascívia, o que chamava a atenção era o desamparo daquele nada em meio aos músculos bem desenvolvidos. Algumas fotos, inclusive, chegavam a ser comoventes. Mas a minha idéia não era a arte, de formas que investi na curiosidade da coisa para tornar minha imagem mais atraente para os produtores do entretenimento adulto.
Procurei pela casa objetos que tivessem o tamanho parecido com o do meu pênis e posei para as fotos segurando-os ao lado do membro: um lápis já muito apontado, uma colher de cafezinho, um minicraque da Coca-Cola, um sabonete, o celular da minha mãe. Agora sim, as fotos ganhavam um quê de luxúria indispensável aos meus planos de astro pornô. Anexei os arquivos e reenviei os e-mails aos mesmos destinatários, acrescentando ao assunto “Ator pornô revelação” o aviso, em letras gritantes: AGORA COM FOTOS. Por ingenuidade, etalvez alguma vaidade, postei no orkut uma das imagens, uma da série bisnaguinha Seven Boys em que o pão encobria completamente o meu pênis. A legenda: Pequeno, mas Obsceno.
Na noite seguinte, minha página contabilizava mais de mil acessos, quatro deles na minha casa.
Duda Kroeff, Presidente, e Luiz Onofre Meira, Diretor de Futebol. Os dois sábios vetaram a contratação do Marcelinho Paraíba porque o jogador estaria "velho" para o Grêmio. Resultado: o MC está destruindo no Coritiba e acaba de ser contratado pelo São Paulo para 2010. Impeachment já.
Sem querer dar uma de engenheiro de obra pronta, minha sensação para o jogo de hoje não era boa. Sport Recife, o time do Ariano Suassuna. Eu disse isso aqui em casa, mas ninguém levou em consideração. Pelo menos a gente não perdeu. Só quase.
Extra! Duas perguntas para o Carpinejar, ganhador do Jabuti
Para alegria dos leitores, fãs, admiradores e da torcida em geral, o Fabrício Carpinejar ganhou ontem o Prêmio Jabuti, categoria Crônicas, com Canalha! E ainda respondeu duas perguntinhas para o blog enquanto esperava para dar uma entrevista na Band. Parabéns para o nosso Canalha preferido. A turma aqui adorou a notícia.
1.Jabuti de Crônicas para o poeta. Define isso em uma frase poética. Enquanto uns saem da casca, eu entro nela.
Jabuti é uma confortável marquise para minha distração. Descobri que o bichano gosta de crônica como ração. Dei sorte.
2. Pode falar do livro novo? Será uma reunião de meus aforismos no twitter. Segue fielmente a estrutura da ferramenta, com o dia e o horário decrescentes dos posts. Cerca de 400 máximas, 400 ataques cardíacos num espaço de 140 caracteres. Até os prefácios respeitam esse limite. O meu riso é uma asma incurável.
Primeiro foi acreditar que era possível, com o 1 X 0 do Souza. Depois foi acreditar que terminaria empatado. No fim, deu a lógica. Mas o G4 ainda nos espera. E o pólo aquático do Inter também não deve ter deixado os amigos vermelhos nada felizes.
O Márcio Januário Pereira, escritor mineiro que conheci na Bienal de Belo Horizonte, acaba de lançar o livro infantil No meio da rua no mundo da lua.A história, toda poética, de uma inusitada colisão entre uma lesma e uma tartaruga, é ilustrada pela Denise Rochael. O livro saiu pela Abacatte Editorial e é uma boa dica para se procurar na Feira do Livro. E tu não vem aí pra autografar, Márcio?
(Este democrático blog gremista publica a opinião muito bem fundamentada de um amigo meu, colorado fanático, sobre o momento do seu time.)
10 razões que me levam a crer que o Inter não quer ser Tetracampeão Brasileiro.
João Pedro Vargas
Demorou a cair a ficha, mas neste final de semana tudo ficou claro e límpido na minha mente rubra: o Inter não quer ser campeão brasileiro. É claro, como eu não havia pensado nisso antes? Cheguei a esta conclusão após resgatar na memória a trajetória colorada desde que perdemos a Copa do Brasil e encontrei dez razões que confirmam minha tese:
A venda do Nilmar.
Manter o Nilmar triplicaria as chances do Inter em terminar o ano com o caneco. Não dava pra arriscar, a direção foi ágil e vendeu o atacante para um time de terceira linha da Espanha. Como ele já vinha sendo convocado para a seleção, a direção não perdeu tempo. Vá que tivesse esperado até o jogo contra o Chile, no qual o Nilmar matou a pau e fez três gols? Ele ficaria muito valorizado e o Inter não conseguiria vender tão rápido.
Fé no pastor.
De uma coisa não dá pra reclamar do Pastor Tite, re-gu-la-ri-da-de. Ele mantém um linha de trabalho firme e convicta: muda o time sempre, ganhando ou perdendo. Um ano e meio de trabalho e o time está sempre mudando, nunca está definido. E sempre tomando muitos gols. É uma forma de continuidade, de re-pe-ti-ção. Não manter um padrão é, de certa forma, um padrão. Dá pra enteder? A direção colorada entende e aprova.
Quem precisa do Fernandão?
Fernandão faz gols? Sim. É líder? Sim. Tem história e ama o Inter? Sim. Daria uma alternativa de ataque que o Inter não tem desde que o prórprio Fernandão foi embora? Sim. É jogador que bota faixa no peito por onde passa? Sim. É mais jogador que o Alecssandro? Sim. É mais jogador que o Taison? Sim. Joga mais que o Vágner Libano? Deiza eu ver...sim. Faria gols neste brasileiro medíocre, meteria medo nos zagueiros adversários, botaria ordem num vestiário rachado e aumentaria as chances de título do Inter? Sim. Ah, então, não serve.
Magrão tá bem? Vamos vender.
Bem feito pra ele. Resolveu jogar bem e acertar o time. Mandaram embora voando. Foi o quarto titular importante a ser vendido. Peraê, mas pra botar as contas em dia não tem que vender só dois titulares por ano?
Não existe lateral direito no mercado.
Cicinho. Vitor. Apodi. George Lucas. Leo Moura. Jancarlos. Alessandro. Gabriel. Tá, forcei a barra em alguns nomes. Mas, para a direção do Inter, nenhum deles amarra a chuteira do Danilo Silva. E 90% dos gols que o Inter sofre saem pelo lado direito.
Vágner Libano, o salvador da pátria.
O guri pode até ser bom, mas assim, pensando bem por alto, devem existir mais ou menos umas 5 alternativas melhores, antes de pensar no Vagner Libano para entrar nas “podres”. Vamos ver: Marquinhos, Edu, Kleber (passando Cordeiro para a lateral), Marcelo Cordeiro (também já jogou no meio-campo), Glaydson (puxando Sandro pra frente e deixando o Andrezinho na ponta-de-lança). É que o Inter revelou muitos jogadores neste ano e um tem que ser “queimado”.
Taison, eterno.
Qual é o prêmio para um atacante que não faz gols e não joga bem há cinco meses? Titularidade indiscutível. É o Inter focado para perder o título. Já pensou se o Pastor bota o Edu no lugar do Taison e ele desanca a fazer gols só porque cabeceia melhor, é mais experiente e tá mais motivado? Risco desnecessário para quem tá embalando para perder o Tetra.
Todo mundo no ataque, levar gol é detalhe.
O be-a-bá do futebol recomenda que um time de futebol deve começar a ser organizado de trás pra frente. Ou seja, primeiro se arruma a defesa, depois se ajeita o meio campo e por fim, se acerta o ataque. O Pastor, para inovar, montou o seguinte esquema: o ataque ataca, o meio campo ataca e a defesa não enche o saco. Equilíbrio, nem pensar.
Virar jogo dá muito trabalho.
O Inter é um time que não vira jogo. Não virou nenhum neste ano. Nem unzinho. Quando sai atrás, a torcida já sabe que, com muita boa vontade, sai um empatezinho. É que virar jogo dá muito trabalho, tem que correr mais, sujar o calção, o técnico tem que gastar mais massa cinzenta, encontrar alternativas, etc.. Viiixê, só de pensar nisso tudo já me deu uma canseira.
Alecsandro = Nilmar.
A décima razão que me faz crer que o Inter não quer ser Tetra do Brasil é a política de compra e venda de jogadores da atual diretoria. O Inter vende muito. Vende muito mesmo. Mas sempre repõe a altura. Vamos aos exemplos: Nilmar sai, mas tem o Alecsandro (iguais, né?). Sai Alex e veio quem? Saiu Magrão e o Inter trouxe o...Tá, não dá só pra criticar, afinal o Edinho foi vendido e isso já é um baita reforço. Ah, mas o Inter trouxe o Edu, que está há uns dois meses entrando em forma e é reserva do Taison na opnião do Pastor.
Mas, mesmo com todo este esforço do Inter em perder o Tetra brasileiro, ainda estamos em terceiro lugar na tabela e a um pontinho do líder. O trabalho para perder título está muito bem feito, mas ainda tem um grande furo: o torcedor colorado. Esse, mais do que nunca, sonha com o tetra e pode derrubar o este plano tão bem arquitetado para afundar no brasileiro. Se a torcida fizer força e distrair o time, quem sabe a gente não acaba campeão.
Aposto que daqui um pouquinho a Tajes vai postar no blog, só porque o time dela tá vencendo do ÚLTIMO da tabela e EM CASA. Mas se ela voltar a postar por isso, já valeu a pena."
E aqui, a resposta:
Hoje não vai rolar porque quase não dormi nesse findi e o cabeção não funcionaria. Mas amanhã juro que faço um post bacaninha, chefe Suman. Quer dizer: quase tão bacaninha quanto este de hoje. Dá-lhe, G4! (A foto do Tcheco é do Globoesporte.)
Um motivo e tanto pra voltar ao blog. Dois, melhor dizendo
Ufa, a primeira que a gente vence fora de casa. Esse Náutico só nos dá alegrias! E queridos Lília e Márcio, finalmente nos juntamos na mesma torcida (não que eu goste de secar os outros, mas quem vive cercado de colorados, como eu, entenderá o meu lado. E não estou falando dos profes e da lady Suman, que esses são gente finíssima). Dá-lhe, tricolor.
A notícia mais engraçada do jogo: a mãe do Jonas pediu pra ele não comemorar mais os gols com aquela dancinha bizarra. Depois dizem que mãe não sabe das coisas.
Bem bacana o Sarau da Carol Bensimon e dos novos autores, com um moço dos mais simpáticos rindo muito na plateia (a Katia quer que ele vá em todas as terças, daqui pra frente) e show de uma banda novíssima, a Charutos Cubanos, que começou no colégio Anchieta e agora já está se apresentando por aí (hoje vão tocar no Dr. Jeckyll). Meu lado professor Moreno vai se manifestar: ficou meio chato ver uma mesa, durante o show, de costas para a banda e gritando demais, até mais alto que o rock dos guris. Mas talvez as pessoas da mesa não tenham se ligado que tinha um show acontecendo, tão empolgadas estavam com a própria gritaria. Só sei que até uma cadeirada acabei levando delas, mas espero que não tenha sido nada pessoal.
Noel Gallagher briga com irmão Liam e anuncia saída do Oasis
Depois de cancelar o show do Oasis no festival Rock En Seine, nesta sexta-feira (28) em Paris, o guitarrista Noel Gallagher anunciou sua saída da banda. Em comunicado divulgado nesta tarde no site oficial, o músico pediu desculpas aos fãs e disse que não aguentava mais trabalhar com seu irmão, Liam.
"É com alguma tristeza e um grande alívio que venho comunicar a vocês minha saída do Oasis nesta noite. As pessoas podem escrever e dizer o que quiserem, mas eu simplesmente não posso mais continuar trabalhando com Liam um dia a mais sequer. Desculpe todas as pessoas que compraram ingressos para os shows em Paris, Konstanz e Milão", escreveu Noel.
A banda estava escalada como atração principal desta sexta-feira no festival francês. Minutos antes de subir ao palco, depois da escocesa Amy Macdonald, os irmãos brigaram no backstage. Segundo a própria cantora, que escreveu em sua página no Twitter, Liam destruiu a guitarra de Noel.
No final de semana passado, a banda já havia cancelado um show no V Festival da Inglaterra alegando uma suposta laringite de Liam, o que intensificou os boatos de separação do Oasis.
Tive que escrever o nome dele sem acento e sem o apelido clássico, Coloradaço, porque qualquer acento e todo o cê-cedilha desconfigura ali na parte do título. Mas o fato é que o nosso amigo colorado, o altamente corneteiro mas sempre bem-humorado Cláudio Coloradaço, foi ontem ao Sarau da Internet. Pena que a Anna, o Leandro e os demais gremistas-símbolos do nosso blog não puderam aparecer por lá. Valeu a presença, CC! Adorei te conhecer. Ah, e o Coloradaço foi com um amigo gremista, o Fernando. O homem não é tão xiita quanto parece.
Só algumas notícias da semana que confirmam que o mundo é mesmo um lugar estranho, pra se dizer o mínimo.
- D 'O Globo: Chega a 61 o número de acusações de abuso sexual contra o médico Roger Abdelmassih, de 65 anos, especialista em reprodução assistida. Uma mulher, que veio da Europa para depor contra o médico, contou à delegada Celi Paulino Carlota, responsável pelo inquérito, que sofreu abuso sexual durante uma consulta com Abdelmassih. As cidades de residência das testemunhas e os detalhes dos crimes não podem ser revelados, já que o processo está sob segredo de Justiça. A polícia não confirma nem a nacionalidade da vítima. Abdelmassih era um dos grandes nomes mundiais em reprodução humana. (Minha opinião -que ninguém perguntou, aliás: o tarado, que ainda por cima cobrava uma fortuna pra realizar os seus renomados serviços, tinha era que passar uma noite em cela comum. Os companheiros de cela certamente resolveriam o problema dele.)
- Desconto em ligações telefônica para gagos, projeto de autoria do vereador Cassiá Carpes que foi apresentado na Câmara de Porto Alegre. Nem tem o que comentar.
- O Grêmio continua sem vencer fora do Olímpico. Segundo especialistas, nosso time é um exemplo para todos os maridos: manda ver em casa e é inofensivo da porta pra fora.
- Já o Rubinho venceu a primeira corrida em cinco anos. Cinco anos.
"Roberto Carlos é um clássico, mesmo quem não gosta deveria assistir ao show dele pelo menos uma vez na vida, nem que seja para conferir o porquê dele ser o Rei (fui movida por esta curiosidade: afinal, o que esse homem tem que carrega multidões atrás dele?).
A primeira coisa que impressiona é a organizãção do show. Logo na chegada ao Gigantinho várias pessoas uniformizadas organizando as filas, dando informações, cuidando das pessoas. Apesar da multidão, não tem confusão na entrada, tudo muito civilizado. Dentro do Gigantinho permanece esse "clima de primeiro mundo", quebrado apenas pela falta de um sistema de ar-condicionado ou algo do gênero que aplacasse o calor. As arquibancadas lotaram rapidamente enquanto as cadeiras numeradas iam sendo ocupadas mais lentamente ("plateia dos ricos" como suspirou uma senhora sentada ao meu lado na arquibancada), mas também foram completamente ocupadas antes do show.
O público também me causou surpresa. Desde caravanas de senhoras com faixas nas quais se liam declarações de amor até casais de namorados jovens, que curtiram o show enquanto trocavam carinhos (namorados de todos os gêneros, menina X menino, menina X menina e menino X menino, o Rei é GLS também, surpresa!), o tipo de público que eu não esperava encontrar.
O show começa com a banda tocando "Como é grande o meu amor por você", e nessa hora já se nota a qualidade do show. A banda é formada por músicos experientes (no final ele apresenta um por um, estão com ele há varios anos) e a qualidade só não é melhor por causa da acústica do local. No canto do palco havia um grupo de violinistas e violoncelistas (acho que era isso) que depois ele apresenta como sendo músicos da Ospa convidados para a turnê gaúcha (e a plateia vem abaixo quando ele fala na Ospa, bem coisa de gaúcho).
Depois ele entra e a plateia fica uns 10 minutos aplaudindo. Outra surpresa: quando ele entra no palco todos levantam e, depois dos aplausos, sentam novamente! Assistimos ao show sentadas mesmo na arquibancada, com os jovens respeitando os mais velhos, que não aguentariam ficar de pé o tempo todo (coisa de Brasil ficar surpresa com um gesto de boa educação). Os mais afoitos, que queriam dançar (?) iam para os cantos, sem atrapalhar ninguém.
O show transcorre como uma peça de teatro bem ensaiada: ele fala as mesmas coisas que vemos nos especiais da Globo (uma amiga minha foi no show de sexta, comparamos o que ele disse e foram exatamente as mesmas frases de amor pela mulher gaúcha, que é linda e etc... puxa-saquismo básico), ele sabe exatamente a reação da plateia a cada intervenção e se utiliza disso para causar comoção. Profissionalismo total.
Mas mesmo assim, o show me causou impacto. As músicas são as mesmas de sempre e algumas delas ficam muito bonitas ao vivo. Isso foi outra coisa que me surpreendeu: nunca dei bola para o RC, mas o pior é que algumas das músicas são bonitas, sim. E sabe-se lá por que razão, enchi os olhos d'água quando ele cantou "Outra vez"...
Quando se aproxima do fim do show, o pessoal que está nas cadeiras da pista se levanta e se aproxima do palco, provavelmente para esperar pelas rosas. Nessa hora dá pra ver algumas demonstrações de histeria, senhoras com flores, faixas e presentes nas mãos para entregar a ele, que retribui e se esforça para pegar tudo o que lhe é alcançado (e pega mesmo, lê o que está escrito, retribui com olhares e palavras a quem lhe entrega o presente), achei isso muito legal, acho que fã merece essa consideração. As rosas que ele joga (beija uma por uma antes de jogar) são disputadas a tapas por senhoras bem vestidas (a plateia dos ricos, lembra?), mas algumas ele entrega na mão de quem está se esprendo entre os seguranças (de novo, legal da parte dele). Ele se vira para a plateia das laterais e joga algumas rosas para lá também, talvez compensando o fato de ter se dirigido pouco a elas durante o show (ele fica quase o tempo todo parado no centro do palco).
Enfim, ele é o Rei e sabe disso, e se comporta como tal. Saí do show entendo mais a razão da comoção que ele causa, gostando mais dele e até com vontade de colocar algumas músicas no meu aipódi..."
O Sarau da terça passada entrou na onda Roberto Carlos 24 horas, com o Rei vivendo sua estadia portoalegrense majestosamente instalado em alguma Suíte Real. Foi bem divertido e o que achei mais bacana foi a cabeça aberta dos fãs do RC que estiveram no Ocidente, uma turma bem-humorada que riu das nosssas bobagens e ainda ficou para o show d'Os Carlos (em formação reduzida, só voz -ou quase- e cordas).
Entre as bobagens citadas, uma foi a tentativa de imitar as letras em que o Rei homenageia diferentes figuras (a mãe dele, o caminhoneiro, a mulher de óculos, a mulher de 40, a mulher pequena e etc). No caso, as homenagens foram ao trio Katia Suman, Profe Fischer (que havia sido indicado naquele dia a Candidato a Patrono da Feira do Livro) e Professor Moreno. Pois a Katia intimou e aí vão as letras, só por curiosidade científica.
MULHER ALTA
Ela me abraça e é tão alta/ Menina peralta/ Fico na ponta do pé/ E beijo a boca dessa mulher/ Mulher alta/ Você passa e me deixa louco/ Mulher alta/ Por você eu queria ter crescido mais um pouco/ Mulher alta/ Se eu deixo a desejar na vertical/ Mulher alta/ Vou te provar o meu valor na horizontal.
CANDIDATO A PATRONO
Candidato a Patrono/ Dessa vez vai dar/ Candidato a Patrono/ Essa edição vai te consagrar/ Candidato a Patrono/ Minha urna é toda tua/ Eu te dou o meu votinho/ Candidato a Patrono/ Te levo pra cama/ Te leio todinho.
PROFESSOR DE GREGO
Mestre da sabedoria/ Desde que te conheci/ Sou escravo a cada dia/ Da tua mitologia/ Hoje não temos segredo /De Zeus eu sigo o exemplo/ Para ser o teu efebo/ Meu professor de grego/ O teu platão eu contemplo/ Meu professor de grego/ Vem com tudo pro meu templo.
.A todos que são pais e a todo mundo que tem um, Feliz Dia dos Pais.
.A todos que são gremistas, bom jogo hoje. Há de ser.
.E especialmente pra Anna: feliz aniversário atrasado! A mala aqui esqueceu de fazer um post comemorativo há dois domingos (foi, né?). Um beijão e muitas coisas boas sempre.
A gorila Gana segura seu bebê no zoológico de Muenster, na Alemanha. A recém-nascida, chamada Claudia, nasceu no domingo. E parece comigo quando eu era baby.
Grêmio 4 X 1 no Cruzeiro. Pelo menos até quinta, dia de jogo com o Palmeiras, a gremistada unida tem motivos pra comemorar. (Lília e Márcio, juro que lembrei de vocês sem nenhuma maldade. Não gosto de ver os amigos chateados, mas é a vida. Na Libertadores a gente é que foi ao inferno por causa dos mineiros.)
Que tragédia a história da menina de 15 anos que morreu de pneumonia voltando da Disney. Há poucos dias, meu filho de 16 anos foi em uma dessas excursões com a turma para Porto Seguro e adoeceu lá. Pneumonia. Fui buscar o guri em Salvador, e nunca fiz nada tão certo na vida. Opinião de consumidora: não acho que as empresas que organizam essas viagens da gurizada cuidem muito bem dos filhos da gente. Além do Theo, outros meninos ficaram doentes e foram deixados nos quartos sozinhos, com febre de mais de 38º. Sim, os monitores passavam de manhã e de tarde nos apartamentos, mas não é o bastante. E, ao menos no caso do Theo, a enfermeira sequer foi ao quarto, ele é que precisou ir até a enfermaria com quase 39º de febre. E os remédios receitados foram cobrados dele na hora, quase cem reais. Pelo preço que se paga por essas excursões, seria decente que os doentes fossem medicados sem custos, ou ao menos que deixassem para cobrar dos pais dos meninos na volta. Péssima experiência. Por tudo isso, não consigo parar de pensar na menina da Disney, nos pais dela e de como é fácil tudo perder a graça de repente.
Todo mundo sabia que o Grêmio não ia ganhar ontem. Não foi surpresa pra ninguém. Minha sugestão é o Fernando Carvalho dar um pulo lá no Olímpico e passar uma descompostura no nosso vestiário.
Passamos do Santo André. Quinta tem São Paulo lá, e fácil não vai ser, mas tricolor que é tricolor nunca perde a fé. Boa semana dos Dez Anos de Sarau aos amigos que vêm aqui e um beijão para os queridos e fiéis companheiros do blog. Querendo aparecer na terça pra comer um bolinho, a gente espera todo mundo no Ocidente.
Não basta ser mãe, tem que ir ao cinema com o filho doente. Com 24 salas (!) exibindo Harry Potter (que já vimos), sobra pouca coisa do interesse juvenil. Então a família assistiu:
A Proposta, com a Sandra Bullock dando uma de editora-diaba que inferniza a vida do seu pobre assistente (Ryan Reynolds). Mas como ela é uma candense que vai ser deportada (premissa meio estranha), acaba forçando o assistente a casar com ela. O final todo mundo adivinha como vai ser, mas o filminho funciona. E casar com o Ryan Reynolds, com o perdão da galinhagem, não seria obrigação pra ninguém, nem pra Sandra Bullock (que, aliás, aquele ex-zagueiro do Grêmio, o argentino Schiavi, já pegou).
Inimigos Públicos, com o Johnny Depp no papel do gangster dos anos 30 John Dillinger, que rouba os bancos, mas não leva o dinheiro dos clientes. Ele se apaixona pela Piaf, quer dizer, pela Marion Cottilard, e é caçado pelo Christian Bale. Muitos tiros e peitos furados esguichando sangue depois, uma conclusão: filme de gangster é chato para cacete. Mas pelo menos tinha o Johnny Depp.
É o Rubinho. Não ganha nada, tem aquela cara de sofredor crônico e o carro dele ainda perde uma mola que quase mata o Felipe Massa. E se ele tentasse um emprego n'Os Trapalhões?
"Foi-se a alegria da naçao tricolor. Dalhe-AVAI!!!!!!!!!!!TIMINHO!TIMINHO!TIMINHO!!!!!!Segunda divisao. A segundona ta chamando voces de novo." Postado por campeao do mundo fifa em 23/07/2009 - 07:16
Em homenagem ao campeão do mundo fifa, que postou tão simpático recado bem cedinho nessa manhã, aí vai o Samba da Benção, doVinícius. Trilha sonora bacana para alegrias que não se vão por tão pouco. E que faz da tristeza apenas a matéria-prima para coisas bem maiores.Quem sabe, sabe...
É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
(Falado)
Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão
(Cantado)
Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não
(Falado)
Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba
(Cantado)
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
(Falado)
Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha
Tu que choraste na flauta
Todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro
Você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes
Sambistas do Brasil
Branco, preto, mulato
Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido
Que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra
Parceiro cem por cento
Você que une a ação ao sentimento
E ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo
Que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos
Não és um só, és tantos como
O meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá! A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus
(Cantado)
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
(E pra quem quiser ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=pdStj4D28vY. Lembrei dessa música porque, nesse exato momento e até às 10h, estou em Salvador, terra da Katia Suman. O motivo não é alegre, mas me faltam razões para ser triste. Portanto, dá-lhe, Vinícius.)
O Grêmio foi o grande vencedor do Gre-Nal do Centenário contra o Inter. Não só pela virada por 2 a 1, conquistada no segundo tempo, mas também pela retomada do moral da equipe de Paulo Autuori, o domínio amplo sobre o maior rival, que caiu para a terceira posição no Campeonato Brasileiro, e a quebra de um tabu que já durava sete jogos. A última vitória gremista tinha sido em 2007, por 1 a 0, no Olímpico.
(A notícia é do Terra e a alegria é da Nação Tricolor! Dá-lhe!!!!!!!!)
Torcida gremista e colegas colorados, olha aí um Sarauzito pra espantar o frio e lotar o Ocidente no dia 20: Cem Anos de Gre-Nal, com a participação de algum ilustre convidado que eu ainda não sei quem é. Aguardem o e-mail da Katia Suman amanhã. E vamos azular a noite na próxima terça.
A Katia Suman e o Tiago da Woodoo resolveram a encrenca. Era barbeiragem minha. Acontece que eu posto as fotos com o código dos sites de onde elas vêm (entender que códigos são esses é um problema pra depois), daí o nosso site tranca. E entra a música dos Trapalhões como trilha. (Mas o lance das palavras desconfigurarem quando eu uso acentos no título ainda continua um mistério. Quando é possível eu dou uma volta, usando comments em lugar de comentários, por exemplo. Mas o que fazer quando a palavra não tem um sinônimo sem acento em português ou uma versão em inglês à altura da sua grandeza, como... Grêmio?)
Ontem conheci o Sérgio Couto e o pessoal que faz a BandNews, só gente finíssima. E o Sérgio (gremista!) tem um blog bem bacana em que rolam, não necessariamente nessa ordem, muito futebol e sacanagem de classe. Pra quem se interessar, vale a visita: http://www.finalsports.com.br/03/blog_serginho
Só pra não passar o final de semana em branco, aí vão os desejos de um bom final de domingo pra todo mundo. Se acontecer alguma surpresa favorável à gremistada hoje (o que parece meio duvidoso), volto mais tarde pra postar um continho. Nessa semana nervosa vou postar também uma entrevista e tentar retomar o blog direitinho. E também não vou comer doce (é minha promessa aos deuses do futebol pra quinta-feira).
E pelo menos o Brasil não perdeu. Já basta tudo o que os Estados Unidos nos levaram na vida.
Aí vai a dica entusiasmada da companheira de blog Ísis R.: "Faz uma propaganda da peça "Ensina-me a viver" que tá em cartaz no São Pedro. É que se tu falar, mais gente vai assistir e eu adoraria que o mundo inteiro pudesse fazer isso. hehe Sim, sou apaixonada pela montagem e faço propaganda de graça. Esse é um bom assunto. :P
Sabe aqueles amigos que a gente para de procurar por pressa, vai deixando pra ligar mais tarde e não liga nunca, pensa em encontrar, mas não se mexe pra isso, e um dia acaba perdendo? Sou eu aqui no blog nessas últimas semanas.
Viajei, voltei, trabalhei, entreguei meu livrito, peguei gripe suína (ou algo próximo disso), entrei em uma e confusão, tudo sempre me dizendo: de noite eu escrevo no blog. Não escrevi, o tempo passou e antes que a coisa acabe, resolvi tomar vergonha na cara e voltar.
Tem também o fato de eu estar com pouco assunto, mas assunto a gente acha. Sugestões são sempre bem-vindas.
E claro que os dois jogos da quarta serviram de estímulo pra minha volta. Fazia meses que eu não dormia com buzinas felizes do lado gremista, mesmo que o nosso jogo tenha sido triste.
A todos que não foram embora, beijos tricolores e pródigos.
Nesse momento, da minha janela, vejo uma baía sem fim com um sol inacreditável que faz a temperatura chegar aos 35º às 9h50 da manhã. E em Porto Alegre, o frio pegando. Estou em Miami, não Beach, mas Downtown, em uma região onde os prédios mais velhos não têm mais de quinze anos. Cidade sem história, sem cultura, meca dos consumidores compulsivos e seja lá mais o que falem, é preciso reconhecer que é bem bacana por aqui. A língua oficial é quase o espanhol, falado dos lugares mais pobres aos mais nobres. A cidade é incrivelmente limpa e as pessoas, do senhor que faz o papel de xerife do metrô ao Presidente da Academia de Televisão, educadíssimas. Cheguei na quinta para participar da semifinal do prêmio Emmy para a América Latina, e meu primeiro contato com essa situação me deixou de boca aberta. Quando que, em Porto Alegre ou em São Paulo, um diretor de qualquer agência de propaganda, por mais irrevelente que seja (a agência e o diretor), se dignaria a cumprimentar uma profissional da base, como eu, chamando-a pelo nome e mostrando-se realmente encantado com a presença da dita cuja no evento? Pois aqui aconteceu o tempo inteiro. Como era bordão em um programa humorístico de milhões de anos atrás, quem não está acostumado com isso, estranha.
Vim a convite da HBO, que tem na sua equipe as pessoas mais finas, educadas e delicadas do mundo. E que colocaram a todos nós, jurados latinos, no Viceroy Hotel, de apenas 4 meses de funcionamento e que foi projetado pelo arquiteto megafamoso Philip Starck. Se eu parecer uma brasileira deslumbrada, é isso mesmo!
Outra coisa que impressiona: as pessoas de idade, porque trabalharam a vida inteira e agora merecem aproveitar o tempo livre, estão nos restaurantes, nas lojas, nos shoppings, nos cinemas, nos teatros. Mas de idade mesmo, a maioria aparenta ter mais de 80 anos. Enquanto isso, no nosso país, a aposentadoria mal dá para comprar os remédios que os idosos precisam.
Volto hoje, não sem antes de atravessar a cidade em busca de rodas, shape e trucks de skate para o meu guri. E aqui vai o meu hotelzinho, só para ilustrar o post. Até amanhã!
Para a nossa ala tricolor que quase morrreu com aquele gol no início e as dificuldades surreais do campo mais podre da América, parabéns por ontem. E dá-lhe, Grêmio.
(Uma das bobagens que eu queria ler ontem no Sarau.)
Qual o nome do livro mais fino no mundo?
"Tudo que os homens sabem sobre as mulheres".
Quantos homens sao necessários para trocar o papel higiênico do banheiro? Ninguem sabe. Isto nunca aconteceu.
Por que os homens sempre dao nomes aos seus pintos? Porque nao gostam que um estranho tome 90% das decisões por eles.
Qual o o nome daquele pedaço insensível na base do pênis? Homem.
Como se sabe que os homens têm 50 gramas a mais de cérebro que um cachorro? Porque eles se comportam relativamente bem em festas e nao tentam fazer sexo com os joelhos dos outros. Não nas festas, pelo menos.
Por que a psicanálise é mais rápida para os homens que para as mulheres? Porque, quando chega aquela parte do tratamento de voltar à infância, o homens ainda estão lá.
O que um clitóris, um aniversario e um vaso sanitário têm em comum? Os homens nunca os acertam...
"Mamãe, o que é um orgasmo?" "Nao tenho a mínima idéia. Pergunte ao seu pai."
Ontem, dia do Sarau dos Homens, eu tinha um estranho compromisso: amanhecer em Recife, do outro lado do mundo (o meu, pelo menos), para fazer o visto americano. Eu nem lembrava que isso existia, e nem tinha planos de renovar o meu, vencido desde 2005, até receber um inesperado e mais que surpreendente convite para uma viagem-relâmpago a trabalho no início de junho.
O primeiro passo foi procurar a Top Vistos, na Andrada 1137/13º andar, recomendação da Cláudia Luce, da agência de viagens Casa de Turismo, que eu também gostaria de recomendar. Vai aqui um merchandising, porque as moças da Top Vistos merecem. A Cláudia Chagas, a Ana e a Monika encaminharam tudo para mim, inclusive conseguindo agendar uma data para a entrevista no Consulado Americano. É bem verdade que teve que ser em Recife, porque os consulados do Rio, São Paulo e Brasília não tinham datas disponíveis antes da metade de junho. Mas como quem está na chuva é mesmo para se queimar, topei. Além de organizar meus documentos, a Monika ainda simulou uma entrevista comigo, treinando todas as perguntas que o cônsul poderia vir a me fazer, e me sugeriu levar alguns dos meus livros, para o caso de precisar provar mais vínculos com o Brasil além de um trabalho estável, um apartamento em aquisição e um filho de 16 anos que aqui ficaria, sozinho e sem saber fritar um ovo (aliás, ele nem come ovo).
O voo da Azul Linhas Aéreas POA-Recife, o mais barato que encontrei, levou 6 horas. O avião da nova companhia aérea é bem novinho, mas tem pouquíssimo espaço entre as poltronas até para mim, que tenho a estatura média do homem recifense (a mulher recifense é mais baixa que eu, como pude alegremente comprovar). Só sei que a minha entrevista era às 10 horas e, como o aconselhável é chegar uma hora antes, às 8 da manhã eu estava na frente do Consulado dos Estados Unidos de Recife.
Essa aí é outra que não dá para entender: Recife tem Consulado Americano e, Porto Alegre, nada.
Bom, só quero dizer que a fila, às 8 da manhã, se arrastava até o fim do quarteirão. Ainda não tinham sido atendidos os cucarachas das 8 e já os das 9 e os das 10 se amontoavam na mesma calçada.
Depois de perguntar a uma funcionária se ela achava possível eu pegar meu voo de volta às 13h40, e ouvir dela, aos gritos, que eu fosse embora se não queria esperar, entrei na fila. Em um intervalo de três horas em pé rolou sol (40ºC), chuvisqueiro leve, mais sol (60ºC), tempestade tropical e muito mais sol (80º). Minha roupa molhou e secou no corpo duas vezes. Teve uma hora em que choveu tanto, mas tanto, que uma das minhas lentes de contato caiu do meu olho.
E tudo isso é verdade.
Enfim dentro do consulado, a coisa melhorou um pouco. Os funcionários eram educados, mas a demora continuava. Ao meio-dia eu aceitei que só um milagre me faria chegar às 13h no aeroporto. Pena eu não cultuar o Padim Ciço dos nordestinos. Minha ficha era a 541, o que significavam 540 pessoas na minha frente. Lá pelas 13h15 o cônsul me chamou e me fez todas as perguntas que a Monika da Top Vistos havia treinado comigo: por que você veio fazer o visto tão longe de Porto Alegre, por que essa empresa está pagando a sua viagem, por que essa empresa escolheu você para participar do tal evento, por que a sua empresa prestadora de serviços se chama Mulher Feia Textos e Roteiros Ltda? Aí foi que eu mostrei o livro da Mulher Feia e o cônsul amansou. Gostou do tema, me convidou a escrever sobre a vida sexual do americano feio, ficou com o livro e ainda quis que eu autografasse. Gente finíssima, ele.
Saí com o visto e os desejos do cônsul de uma boa viagem, mas com minha volta para Porto Aegre irremediavelmente perdida. O próximo voo da Azul para cá era às duas da madrugada. Acabei tendo que comprar um trecho caríssimo da Tam com conexão em Brasília, voo que deveria chegar às 22h20 aqui, mas claro que chegou às onze.
Àquela altura, suja, cansada e fedendo, só me restou ir para casa.
Mas na semana que vem, seja lá o tema que for, prometo uma participação de luxo no nosso querido Sarau.
Um cheiro para todos, como diria o Luis Caldas, aquele nordestino que cantava Tieta.
Na foto, eu na fila do Consulado Americano de Recife, enquanto ainda acreditava que voltaria para casa a tempo de participar do Sarau.
Fica aqui uma singela homenagem a essa valorosa espécie que merecia mesmo ser reconhecida no Sarau Elétrico. Se bem que as gurias vão gostar mais da homenagem que os moços, acho.
Woody Allen, Noel Gallagher, Liam Gallagher, Adrian Brody, Luis Fernando Verissimo, Philip Roth, Brad Pitt, Profe Fischer, Profe Moreno e Maxi Lopez. Bah, me puxei. E tem muito mais no Sarau dos Homens.
.Pelo sumiço. Faltou tempo e, principalmente, inspiração.
.Porque amanhã, mas só amanhã, vou faltar ao meu programa preferido das terças para ver o Noel e o Liam. Chato é perder o trio do Sarau em ação com o André Damasceno.
.Na quarta, notícias do Oasis e mais atualizações direto da redação.
Grêmio sobe para 16º em ranking mundial de clubes; Inter é o 32º.
Melhor campanha na primeira fase da Libertadores faz clube gremista pular 35 posições.
Dono da melhor campanha na primeira fase da Copa Libertadores, o Grêmio pulou do 51º para o 16º lugar no ranking mundial de clubes da Federação Internacional de História e Estatística de Futebol (IFFHS), com 191 pontos. O clube gaúcho é o segundo brasileiro a aparecer na lista. O primeiro é o São Paulo, que caiu da sétima para a nona colocação, com 223 pontos.
O Inter subiu da 35ª para a 32ª posição, somando 162 pontos. Antes do time gaúcha aparece o Sport, em 29º, com 169.
Já o Palmeiras está em 35º lugar no ranking. Cruzeiro (45º), Fluminense (70º), Botafogo (84º), Santos (134º), Flamengo (144º) e Vasco (150º) são alguns dos outros clubes brasileiros que aparecem na relação.
Manchester United e Barcelona se mantém como as melhores equipes do mundo na mais recente atualização da lista. Ingleses e espanhois, porém, não são os únicos semifinalistas da Liga dos Campeões que aparecem entre nas primeiras posições. O Chelsea, adversário do Barça, é o terceiro, enquanto o Arsenal está em quinto
O técnico Leão caiu depois de mais uma derrota do Atlético Mineiro no Estadual de Minas. Celso Roth assume com a missão de ganhar do rival Cruzeiro. Bela contratação.
Outra do Globo: Noel para aeroporto de Caracas com espirro
Uma cervejinha depois do susto
Noel Gallagher, do Oasis, escreveu no seu blog que ficou assustado ao descer na Venezuela e ver todo mundo no aeroporto de Crack’arse, como ele chamou Caracas, de máscara por causa da gripe suína. Ele conta: “Todo os funcionários com máscaras brancas. TODOS ELES. Parecia algo saído dos romances de Stephen King. De repente me senti completamente nu sem uma. Como se já não fosse ruim o bastante, minha mãe ligou para dizer naquele exato momento que eu deveria tomar muito cuidado ou MORREREI de gripe suína. Juro que nessa hora eu dei um tremendo espirro e todo o aeroporto ficou em silêncio e começou a me encarar! EU QUERO UMA MÁSCARA!”
Do Globo: Rubem Fonseca sai da Companhia das Letras
A editora Companhia das Letras acaba de enviar comunicado à imprensa no qual informa que "por decisão comum, deixará de editar as obras de Rubem Fonseca". Segundo a nota, nenhum esclarecimento a respeito deste assunto será prestado pela editora. Quando os livros do escritor se esgotarem, eles estarão disponíveis para publicação por editora da escolha do autor.
A Companhia tem mais de 20 títulos de Fonseca em catálogo, entre eles sucessos como "A grande arte", "Agosto" "Vastas emoções e pensamentos imperfeitos", "Feliz ano novo". Alguns dos títulos também tinham sido lançados em formato de bolso. O mais recente livro do autor lançado pela editora é a coletânea de contos "O romance morreu", de 2007. No momento, segundo fontes do mercado editorial, Fonseca se dedica a um novo romance.
O escritor, que cuida ele próprio das negociações junto a editoras no Brasil, sem a intermediação de um agente literário, se recusa a dar entrevistas há vários anos. A princípio, não possui uma nova casa editorial, o que deverá provocar uma corrida de editoras para publicar sua obra. (foto de Michel Filho em 05-05-2005)
Depois de um tempo longe dos cinemas & teatros por causa de trabalho e outras atrapalhacões cotidianas, aí vão as atualizações (minhas, e mínimas...) do sábado.
Os homens são de Marte: A peça com a atriz Mônica Martelli tem como exclusiva preocupação a troca de estado civil de uma mulher solteira já passada dos 30. Alguns momentos são bem engraçados, até porque a atriz é ótima. Confesso que me incomodou um pouco o final, que só foi feliz porque a encalhada arrumou um cara pra casar. Mesmo na leva " texto mulherzinha" (da qual eu, muito a contragosto, parece que faço parte), acho que dá pra não perpetuar esse clichê de que só o casamento salva a mulherada. Quando se vê cada tipo de casamento que tem por aí, e cada marido, dá mais vontade ainda de ficar no modo single pela eternidade. Considerações mau-humoradas (ainda tem hífen?) à parte, aí vão algumas passagens engraçadas que eu consigo lembrar.
Estado civil devia ter cartão de milhagem. Solteira ganha o básico, casada ganha o prata. Se o casamento é duradouro, leva o cartão ouro. Já viuvez é cartão diamante, não tem estado civil como a viuvez: a pessoa já cumpriu tudo que a sociedade espera dela e o marido está lá, garantido, em um lugar de onde ninguém mais pode tirá-lo da mulher.
Essa é pra Katia Suman: em uma festa, as altonas chegam pra enfeitar o salão, chamam a atenção de todo mundo, mas quem consegue se arrumar pra dançar um forrozinho são as baixinhas. As altonas são admiradas como quem é ofendida: porra, mas tu é alta, hein? Puta que pariu, mas olha o tamanho dessa mulher! (A atriz da peça tem 1m80, mas sempre disse que tinha 1m79 pra não assustar os caras.)
A melhor amiga da personagem é uma baixinha, a Natalie, que tem mania de usar chapéu. Quando sai com a Natalie, a personagem se sente andando ao lado de um champignon.
E tem muitas outras passagens engraçadas, só que eu esqueci. A peça deve retomar carreira em 2010, agora para tudo porque a Mônica Martelli está grávida. Diversão garantida pra quem não quer compromisso. Além do casamento, claro.
Mônica Martelli. É grandona, bonitona e ótima atriz.
Che: Sim, nos dias que seguem Ernesto Guevara perdeu a condição de herói e virou um terrível monstro sanguinário, maníaco por execuções e tortura. Mas para quem (como a ignorante que vos escreve) prefere ficar com a primeira, e heróica, versão, o filme de Steven Soderbergh é bom. Originalmente com quatro horas e meia, o filme foi dividido em duas partes. A primeira, que está em cartaz, vai até a tomada de Santa Clara, última parada antes da chegada dos revolucionários em Havana. O fio condutor da história é uma entrevista do Che a uma jornalista americana. Benício del Toro foi o melhor ator no Festival de Cannes pelo papel de Che.
Abaixo, os atores, de banho tomado, no Festival de Cannes. Rodrigo Santoro é Raúl Castro e até que dá umas faladinhas.
A voz deles continua a mesma. Mas a barba, quanta diferença...
Dois filhos enquanto era bispo, um quando ele já tinha pedido pra sair. Isso em menos de duas semanas. Imagina o que o padreco e pedófilo Presidente do Paraguai deve ter de filhos com as suas pobres ovelhas espalhados por aí.
Pois agora a produtora de filmes pornôs Kick Ass, de Los Angeles, está oferecendo um milhão de dólares para que Susan, que confessou jamais ter beijado na boca, perca a virgindade diante das câmeras. Susan é ajudante do pastor em uma igreja do interior da Inglaterra.
A pobre mulher quer ser cantora e apresentam uma proposta dessas para ela. Mundo, mundo, vasto mundo.
O que pode ser pior que trabalhar o domingo inteiro? Encerrar o domingo de trabalho ao som de buzinaços e gritos de "Bicampeão". E merecidamente, que isso ninguém discute. Aos amigos do Beira-Estuário, os parabéns da ala azul do blog.
Teve a mãe que matou o filho viciado em crack. A mulher que matou o marido, a irmã e a sobrinha. Hoje, um pai tentou matar o filho e, em Santana do Livramento, outra mãe matou o casal de filhos, de oito e seis anos, antes de se suicidar. No Rio, um casal foi preso por torturar seu bebê de quatro meses, uma menininha que foi internada com as pernas, os braços, várias costelas e o fêmur quebrados (detalhe: as fraturas não aconteceram na mesma ocasião, o que significa que o bebê foi torturado ao longo de um tempo ainda não estabelecido pela polícia). O mundo está cada vez mais doente.
N'O Globo de hoje: o site Entertainment Weekly preparou uma lista com as 25 melhores músicas de partir o coração de todos os tempos. Aí vai a lista em ordem decrescente e, como essa ex-nerd não consegue mais fazer aquela mágica de postar o link das coisas, vai também o endereço onde essa simples operação da internet funciona: http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/04/17/as-25-melhores-musicas-de-partir-coracao-755327941.asp. É só passar lá para ouvir.
Do UOL: Pessoas sem calças são vistas no metrô de São Paulo, na noite desta quinta-feira (16). A ação faz parte de um movimento apelidado de 'No Pants Day', organizado pela internet, que teve início em Nova York.
(Bah, tô fora. E imagina o mico de quem não usa underwear.)
"O melhor reforço do Grêmio na temporada foi ter demitido o Celso Roth. Foi o melhor negócio do futebol nacional. " (Do meu amigo e colorado fanático João Pedro Vargas)
O pessoal perguntou e aí vai o serviço: Dicionário Colorado, 100 anos em 100 Verbetes, o novo livro do escritor, professor, apresentador do Sarau Elétrico, Fato Literário, pai do Benjamim e colorado notável (entre muitas outras coisas) Luís Augusto Fischer, vai ser lançado amanhã, dia 17 de abril, às 19 horas, na Livraria Saraiva do Shopping Praia de Belas. Todo mundo lá -ou, pelo menos, a ala colorada do mundo.
Outro momento colorado do Fischer, aqui com o Giba Assis Brasil e o Gustavo Spolidoro no lançamento do filme Gigante.
Nessa semana, a seção Artes & Espetáculos da Veja traz quatro críticas assinadas, uma sobre o filme do motoqueiro e ator fantasma Nicolas Cage, Presságio, outra sobre o livro A cabeça de Steve Jobs e duas sobre programas de televisão. A única crítica que vem sem assinatura alguma é a que mete o pau no novo CD do Caetano Veloso, Zii e Zie. Quem escreveu realmente detestou o trabalho, mas preferiu não assinar, imagino que para evitar a resposta pública do Caetano. Ainda não ouvi, mas não pode ser tão ruim quanto o crítico-fantasma fala (e se eu não gostar, ainda que não faça diferença alguma, vou dizer e assinar aqui). Já o Luís Bíssigo assina uma boa matéria sobre Zii e Zie na Zero Hora de hoje, com entrevista e uma opinião que também mostra as contradições do CD. A mim parece que esse deve ser o papel da crítica: criticar, mas assinando.
O Bicampeão Gaúcho Invicto 2009 é o time do momento, mas quem passou de fase na Libertadores foi o Grêmio. Parabéns aos tricolores e vamos em frente. O negócio e acreditar.
Para os colorados que lotaram o Ocidente, o Sarau de ontem foi um momento comovente, com direito a depoimentos emocionados dos co-irmãos sobre seu time, o Mundial, o Centenário e etc. Para quem foi para honrar o pavilhão tricolor, caso dos gremistas de fé Anna Schuck (que foi com a camiseta do Grêmio e ainda levou a irmã, também de camiseta!) e Rodrigo Germano (com o apoio do colorado Marcello Berg na mesa), sem falar no meu próprio caso, foi uma noite difícil, ainda que divertida. O Presidente Fernando Carvalho, que merece a admiração indistinta de colorados e gremistas, mandou superbem. A Katia Suman, pelo andar da carruagem, em breve terá uma estátua de torcedora-símbolo na entrada do Beira-Lago. Agora a pergunta é: e aí, quando teremos o Sarau do Grêmio?
Caro João, que não assina o sobrenome e que agora decidiu escrever suas ofensas para o meu e-mail pessoal: respeito totalmente o teu direito de me considerar vadia-cadela-rameira (de rameira ninguém nunca tinha me chamado) e mais tantos outros elogios com que tu me presenteia desde ontem. Agora, insistir em que eu sou colorada é de uma ignorância que não mereceria resposta, não fosse o fato de me irritar tanto. Vai desafogar tua infelicidade em outro lugar, João ou seja lá como é o teu nome. Teu endereço já foi bloqueado no meu e-mail.
O chato de ler a Caras nos dias de hoje é que eu não conheço mais os atores que aparecem posando para as fotos em suas casas ricamente decoradas. Mário Frias, Ísis Valverde, Rodrigo Lombardi, Gustavo Leão, Charles Paraventi, nunca vi nenhuma dessas celebridades atuando. Mas claro que a culpa é minha, que nunca vejo televisão. Saudades do tempo em que o Cid Moreira era fotografado na banheira e o Tony Ramos comemorava os seus 60 anos de casamento na reportagem principal. Comprovado: fiquei velha mesmo.
Declaração, com direito a aparecer em um box destacado na página de Caras, do ator Mário Frias (?) sobre a própria mulher, cujo nome nem é citado: "Minha mulher não tem celulite, é toda esticada. Parece um berimbau."
Queria comemorar a sexta-feira de feriado postando um videozinho, mas foi só a Katia Suman elogiar minha nova inteligência para postar vídeos que desaprendi. Passei horas tentando, e nada. Então aqui vai o link da minha tentativa frustrada e uma pergunta: tem coisa melhor que ficar em casa em plena sexta-feira? Bom descanso para quem quer descansar, boas festas para quem quer festear. E muito obrigada pela solidariedade no caso do bananão que me ofendeu no post anterior.
Roth ironiza derrota para o Inter: "Felicidades no Gauchão. É o que resta, né?"
Após a terceira derrota consecutiva em três Gre-Nais disputados em 2009 — um na decisão do primeiro turno do Gauchão e neste domingo, na disputa por uma vaga à semifinal do segundo turno —, o técnico do Grêmio Celso Roth ironizou o bom desempenho do Inter nos clássicos.
— É o momento do Inter. O Inter está aproveitando o momento. Felicidades no Gauchão. É o que resta, né? — disse Roth, destacando que na terça-feira o Grêmio terá um jogo importante pela Libertadores.
Treinador achou a derrota do Grêmio injusta. Injusto é ele ganhar R$ 220 mil pra não ganhar nada.
SOBERBA: Sentimento de altivez, sobranceria; orgulho. Uso pejorativo: comportamento excessivamente orgulhoso; arrogância, presunção.
BURRICE: Qualidade, caráter ou condição de burro ('falto de inteligência'); asnice, burreza, burriquice.
SINA: Fatalidade a que supostamente se está sujeito; destino, sorte, fado.
CARMA: No hinduísmo e no budismo, lei que afirma a sujeição humana à causalidade moral, de tal forma que toda ação (boa ou má) gera uma reação que retorna com a mesma qualidade e intensidade a quem a realizou, nesta ou em encarnação futura. A transformação pode dar-se em direção ao aperfeiçoamentoou de forma regressiva (o renascimento como animal, vegetal ou mineral).
Independente de tudo, é bonito ver o pessoal do Aterro comemorando os cem anos do clube. Ontem, indo ao cinema no BarraShopping, chamava a atencão a quantidade de gente de todos os tipos se dirigindo ao Gigante da Beira-Lago pra esperar a virada do século deles. De coração tricolor e sincero, parabéns aos colorados.
O Grêmio jogou hoje sabendo, de antemão, que jogaria no domingo com um dos quatro classificados da outra chave do Gauchão e que, na próxima terça, enfrentará o Aurora no Olímpico pela Libertadores. Certo? Em vez de usar reservas hoje, titulares no domingo e titulares na terça, não seria mais lógico ir de titulares hoje (pra não fazer fiasqueira e garantir um adversário mais fácil no domingo), reservas no domingo e titulares na terça? É o que parece, mas eu não ganho R$ 220 mil, então minha pergunta sobre lógica deve ser idiota mesmo.
Torço, antes de tudo e de mais nada, pelo Grêmio. E também (que me desculpem todos os brasileiros) pela Argentina. Saldo negativo de dez gols em dois dias, portanto. Pior que a minha conta bancária.
Parece meio estranho, mas a gorduchinha-problema Lily Allen fez um cover do The Clash que não dá pra parar de ouvir. Está em War Child: Heroes, CD destinado a apoiar crianças que vivem na guerra, à venda na Cultura (R$ 26) e on-line também.Tem ainda Beck cantando Bob Dylan, Franz Ferdinand atacando de Blondie's, a mala da Duffy assassinando Paul McCartney e muitas outras versões tri. A sugestão foi do Rodrigo Ourique, da Cultura. Dá pra ouvir a Lily Allen (que a minha cria chama de Lily Alien) cantando Straight to Hell aqui: http://www.youtube.com/watch?v=MGL5EtYGGDM
Porta de escola particular, onde a boa educação parece ser inversamente proporcional ao poder aquisitivo. Os pais, com seus carrões (que, segundo as teses mais científicas, são indícios de impotência sexual, membro pequeno e ejaculação precoce), não deixam ninguém entrar à direita ou à esquerda. Pode dar sinal, implorar, mostrar que o filho precisa descer ou até chorar, nenhum deles vai esperar meio segundo pela manobra de ninguém. Não que as mães sejam mais educadas. Tem algumas que até xingam quando alguém tenta forçar uma estacionadinha rápida. Uma contumaz, inclusive, que tenho a infelicidade de encontrar todas as manhãs, deixa o filho no portão e depois passa um sinal fechado por onde atravessam os estudantes que vêm do outro lado da Nilo. Bota vergonha nisso.
(O convidado do Sarau de hoje, o Luiz Zini, que é editor do Caderno de Cultura da ZH e tem um dos melhores e bem escritos blogs de futebol da praça, fez este post sobre o Sarau Caso de Polícia. Muito obrigada para a Alice Lara, que deu o toque. Mais Zini todos os dias em zerohora.com. E hoje lá no Ocidente.)
Sarau Elétrico, um blogueiro e o policial perfeito
"Beverly Hills Housewife", quadro de David Hockney, vale perto de US$ 10 milhões e a loira do seu fundo, bem como a morena que o guarda, parecem saídas de um bom romance policial. Se você gosta do tema, saiba quem também gosta na noite de Porto AlegreFoto: Matt Dunham, AP
O quarteto Luís Augusto Fischer, Cláudio Moreno, Claudia Tajes e Katia Suman, luz, alma e neurônios do Sarau Elétrico, segue as pegadas da noite desta terca-feira, 21h, no Bar Ocidente, na Osvaldo Aranha, esquina a João Telles, com lupa, soco inglês e uma dúzias de pistas quentes. Prometem falar sobre romances policias. Lembrar os históricos, Hammet, Poe, Chandler. Pedir pelos contemporâneos (ou nem tão novos assim) como Mankell, Lehane, Block, Camilieri, Dunning, Montalban e Conelly.
Buscados na ficção, assassinos, detetives, chantagistas, tiras, ladrões e assemelhados devem garantir a audiência do bar. Eu sou um dos convidados da noite e ainda procuro um detetive apaixonado por futebol, assunto que deve aparecer no encontro, atrás de uma das curvas das misteriosas conversas.
O detetive Espinosa, do carioca Luiz Alfredo Garcia Roza, por exemplo, me parece botafoguense. Pergunto, quando entrevistar o Garcia Roza outra vez. Espinosa vive caminhando por Copacabana. Não duvido que tenha um pôster de Garrincha perdido entre suas centenas de livros.
Será uma terça-feira noturna de leitura de trechos dos melhores livros policiais disponíveis. Bom recordar, bom para anotar, não ciusta comprar. Ninguém vai sair sem uma boa história, mas é quase impossível conhecer a identidade da bela morena que estará sentada na última mesa do canto esquerdo do bar.
A canja é do Musical Amizade. Se você gosta de romances policias, apareça, antes que a Seleção tome conta da nossa quarta-feira e nos aplique outro 1º de abril.
As penas do Maníaco do Parque, que matou onze mulheres em 1998 depois de estuprá-las em um parque na zona sul de São Paulo, somam 271 anos. Mas ele só vai cumprir trinta e poucos, que é o máximo de tempo que alguém fica guardado no Brasil.
O megabanqueiro quadrilheiro Daniel Dantas foi condenado a dez anos.
Pensando nesses exemplos (e em todos os inúmeros falcatruas e criminosos, como o jornalista-homicida Pimenta da Veiga, que seguem em liberdade), não parece um pouco demais os 94 anos de cadeia para a dona da Daslu? Que pague os impostos devidos, que fechem a loja dela, que deixem a madame dormir por algum tempo no Carandiru. Mas 94 anos (mesmo que ela só vá cumprir trinta e poucos) é palhaçada.
Mais sorte que juízo. Foi o que disse o vice-presidente de futebol do Grêmio, André Krieger (por quem este blog não sente nenhuma simpatia), sobre a nossa vitória em Cochabamba. Ele se referia ao festival de gols perdidos, ao quase empate por descuido e à vitória com um frangaço histórico. Já que a sorte é meio caminho andado para se chegar a qualquer lugar nessa vida, parabéns para a sortuda nação tricolor. E há de melhorar daqui para a frente.
Paz Vega, a bonitona espanhola dos filmes do Almodovar e daquele outro, Lucia e o Sexo, em que ela aparecia sem roupa quase o tempo todo. Para agradar os guris do blog.
Adam Phillips, reconhecidíssimo psiquiatra britânico, tem vários livros que discutem as relações em geral e os relacionamentos em particular com profundidade científica e, ao mesmo tempo, um animador humor inglês. Dele eu li Monogamia (na época me interessava por argumentos que justificassem essa forma de organização social, digamos assim) e Beijo, Cócegas e Tédio (uma legítima DR das mais proveitosas e divertidas). Agora acabei de comprar Louco para ser Normal, que a editora Joge Zahar apresenta assim:
A literatura está cheia de famosos personagens loucos. Milhares de livros já foram escritos sobre a loucura e muitos estudos procuram dar conta do tema. O mesmo não acontece quando se fala de sanidade. É difícil definir as características que fazem alguém ser classificado como são ou o que isso significa nos dias de hoje.
Adam Phillips percorre definições de dicionários e analisa usos históricos e literários dos conceitos de "são" e "louco". Aborda o fascínio exercido pela loucura ao longo da história e detecta como ela está presente em muitos momentos de nossas vidas. Examina alguns diagnósticos psiquiátricos e reflete, por exemplo, sobre as preocupações dos pais em criar filhos saudáveis. Este livro é um verdadeiro guia para os leitores através da tênue fronteira entre loucura e sanidade.
Além de todo o conteúdo, o Adam Phillips é esse aí da foto. Quando eu o conheci (literariamente falando, claro), cheguei a imprimir a foto do sujeito e levar na carteira. Em 2003, a Veja publicou uma entrevista com ele nas páginas amarelas. Aqui vão alguns trechos. Os destaques são por minha conta.
FREUD ESTÁ VIVO
O inglês Adam Phillips, de 48 anos, tem se dedicado a uma tarefa histórica: a organização da segunda tradução do alemão para o inglês da obra de Sigmund Freud. O primeiro volume da nova versão saiu no ano passado e, até o fim de 2004, serão publicados mais de dois terços do trabalho do pai da psicanálise. Um dos psicanalistas mais influentes da Inglaterra, Phillips pretende corrigir os erros e os excessos cometidos pela primeira tradução, a que popularizou as idéias de Freud não apenas nos países de língua inglesa, mas também na Europa e na América Latina. Ele promete ser fiel ao estilo do original de Freud – que, garante, é mais acessível que o da tradução tradicional. Com isso, quer libertar a psicanálise do establishment médico. Autor de dez livros e reconhecido como um dos grandes ensaístas de sua geração, Phillips trabalhou no sistema de saúde inglês durante dezessete anos. Separado e pai de uma menina de 8 anos, hoje atende apenas em um consultório localizado no charmoso bairro de Notting Hill, em Londres.
Veja – Freud criou o termo "psicanálise" no século XIX. Tudo o que ele escreveu ainda faz sentido?
Phillips – Não. Várias coisas que ele disse não têm valor hoje. Freud acreditava, por exemplo, que a sexualidade das mulheres é mais misteriosa que a dos homens. No entanto, essas generalizações imprecisas não invalidam toda a obra. Apenas reforçam a necessidade de tirá-lo do altar em que foi colocado.
Veja – Quem foi Freud? Um cientista, um escritor ou um charlatão?
Phillips – Foi um escritor que aspirava ser um cientista. Freud descobriu algo importante e decidiu legitimar essa descoberta usando o critério científico, que então era dominante. Essa tarefa se mostrou impossível. Não há como testar ou checar a existência do inconsciente. Não tem ninguém que possa testemunhar o sonho alheio. É uma criação solitária. A ciência depende da reprodução de experiências, e isso não é possível na psicanálise.
Veja – Por que o número de cirurgias plásticas e implantes de silicone não pára de aumentar?
Phillips – Hoje as pessoas têm mais medo de morrer do que no passado. Há uma preocupação desmedida com o envelhecimento, com acidentes e doenças. É como se o mundo pudesse existir sem essas coisas. Há uma enorme sensação de invisibilidade. Todo mundo acha que ficou de fora de algo, mas não sabe do que exatamente. É como se sempre houvesse uma festa imperdível em algum lugar e ninguém conseguisse encontrar o local. A obsessão por beleza reflete a necessidade de ser amado e aceito.
Veja – Essa necessidade é maior hoje do que era no passado?
Phillips – Na cultura atual, parece que há apenas dez pessoas que realmente estão vivendo. São as celebridades. O resto encontra-se num nível bem mais baixo. Isso tudo é um absurdo sem tamanho. A idéia de uma vida boa foi substituída pela de uma vida a ser invejada. Esse estado de coisas deixa muita gente enfurecida e infeliz.
Veja – Por que mulheres e homens parecem totalmente obcecados por dietas de emagrecimento e exercícios?
Phillips – É uma nova versão do que Freud chamou de histeria. Mas, desde que ele escreveu sobre o assunto, as coisas pioraram. Todos devem estar se sentindo muito enfermos e vulneráveis para se preocupar de forma tão doentia com a saúde. O sexo é outro assunto preocupante. Hoje todo mundo fala de sexo, mas ninguém diz nada interessante. É uma conversa estereotipada atrás da outra. Vemos exageros até com crianças, que aprendem danças sensuais e são expostas ao assunto muito cedo. Estamos cada vez mais infelizes e desesperados com o estilo de vida que levamos.
Veja – O que é depressão?
Phillips – Para muita gente, é melhor estar quase morto que totalmente vibrante diante de uma situação difícil. A depressão funciona como um escudo para evitar situações conflituosas. Esse tipo de comportamento certamente aumentou. Dito isso, sofremos de outro tipo de problema. É a indústria do diagnóstico. Nos consultórios, qualquer tristeza é chamada de depressão.
Veja – Muitas crianças têm agenda lotada de compromissos. Há tempo para ser criança no mundo atual?
Phillips – Com certeza, não. As crianças entram na corrida pelo sucesso muito cedo e ficam sem tempo para sonhar. Há grande ansiedade da parte dos pais em relação ao futuro. Essa pressão está literalmente enlouquecendo muitas crianças. A decisão sobre a profissão está acontecendo cada vez mais cedo. No século XIV, se as pessoas fossem perguntadas sobre o que queriam da vida, diriam que buscavam a salvação divina. Hoje a resposta é: "ser rico e famoso". Existe uma espécie de culto que faz com que as pessoas não consigam enxergar o que realmente querem da vida.
Veja – Do ponto de vista dos pais, não é legítimo o desejo de sucesso e riqueza para os filhos?
Phillips – Claro. Não acho que as crianças deveriam ser educadas para se tornar revolucionárias. Mas é possível melhorar o que temos. Os pais devem ter como objetivo garantir o futuro de seus filhos e, ao mesmo tempo, deixá-los mais à vontade, com mais tempo e espaço para ser menos focados, menos objetivos. Adiar as decisões sobre o futuro, dar tempo ao tempo.
Veja – O senhor consegue atingir esse equilíbrio com sua filha de 8 anos?
Phillips – Acho que sim. Não fico tentando entender tudo que minha filha faz e diz. Estou mais preocupado em que se divirta. Não acredito num planejamento milimétrico para o futuro de uma criança, como se tudo pudesse ser programado.
Veja – Há alguns anos se fala da necessidade de dar limites aos filhos. Por que os pais acham essa tarefa tão difícil?
Phillips – É assim porque os pais não acreditam nos limites. É preciso acreditar neles para que funcionem. A cultura em que vivemos não facilita esse trabalho. Os pais criam limites que a cultura não sanciona. Por exemplo: alguns pais tentam controlar a dieta dos filhos dizendo que é mais saudável comer verduras do que salgadinhos enquanto as propagandas dão a mensagem diametralmente oposta. O mesmo pode ser dito em relação ao comportamento sexual dos adolescentes. Muitos pais procuram argumentar que é necessário ter um comportamento responsável enquanto a mídia diz que não há limites.
Veja – Como os pais podem resolver esse problema?
Phillips – Resolver o problema é algo muito ambicioso. O que podemos fazer é instruir as crianças a interpretar a cultura em que vivemos. O que está a nosso alcance é ensiná-los a ser críticos. Mostrar que as propagandas não são ordens e devem ser analisadas. Será que realmente precisamos de tal coisa? Será que é a melhor opção? Será que tal comportamento é o melhor? Outro problema é a incapacidade dos adultos de ser adultos. Os pais também devem aprender a ser odiados pelos filhos em algumas ocasiões. Muitas pessoas têm filhos porque acham que o nascimento deles é uma garantia de que serão amados de forma incondicional e eterna. Por isso, têm receio do ódio e da desaprovação deles. Tratam crianças como se fossem adultos. Uma coisa precisa ficar clara de uma vez por todas: embora reclamem, as crianças dependem do controle dos adultos. Quando não têm esse controle, sentem-se completamente poderosas, mas ao mesmo tempo perdidas. Hoje há muitos pais com medo dos próprios filhos.
Veja – Por que a psicanálise é tão popular na América Latina e tão pouco disseminada na Ásia?
Phillips – Imagino que na Ásia o problema seja a religiosidade dos povos. As idéias de Freud vão radicalmente contra a pregação do hinduísmo, do islamismo e do budismo. Isso faz com que a assimilação seja muito complicada. Sobre o sucesso na América Latina, não tenho certeza. Talvez tenha a ver com fatores como a colonização européia e a instabilidade política.
Veja – Os remédios e as terapias alternativas estão acabando com a psicanálise?
Phillips – A psicanálise está apenas começando. A experiência de ser ouvido é muito poderosa. Definitivamente, tem efeito benéfico. É verdade que, num mundo ideal, ninguém precisaria de analista. O diálogo com os amigos daria conta do recado. O problema é que não temos a coragem de contar certas coisas aos amigos. Outras podemos até contar, mas os amigos não sabem como ajudar.
Veja – Os amigos, pelo menos, não cobram uma exorbitância para ouvir, não é verdade?
Phillips – Essa crítica é totalmente válida. Ninguém deveria escolher a profissão de psicanalista para enriquecer. Os preços das sessões deveriam ser baixos e o serviço, acessível. Deve-se desconfiar de analistas caros. A psicanálise não pode ser medida pelo padrão consumista, do tipo "se um produto é caro, então é bom".
Na entrevista que eu vi no Jornal Nacional, o Senador Heráclito Fortes (Democratas do Piauí) não conseguiu concluir uma frase sem botar a língua pra fora inúmeras vezes, bufar e se embananar todo com as palavras. E, pensando bem, Democratas do Piauí parece mais nome de escola de samba que de partido. (Reflexões de uma eleitora triste enquanto não chega a hora de esquecer da vida no cinema.)
Perguntas que ocorrem depois de 5 minutos diante da TV
.Por que aquela gente das Casas Bahia entra sempre gritando nas nossas casas? Se a propaganda é dirigida aos deficientes auditivos, por que não colocam alguém fazendo a linguagem dos sinais no canto do vídeo?
.O senador Heráclito Fortes goza de perfeita saúde física e, notadamente, mental?
.Qual era a incumbência da Diretoria de Garagens no Senado?
.A Glória Peres faz novelas temáticas com gente fantasiada e dançando pra tirar sarro da cara do telespectador?
O irmão guitarrista (que também canta -e muito bem) do Oasis, Noel Gallagher, lançou um álbum solo. “The Dreams We Have As Children” saiu encartado no jornal inglês The Times e reúne uma série de gravações ao vivo do Noel no Royal Albert Hall, em Londres, em março de 2007. O repertório tem músicas inéditas e canções do Oasis, além de regravações dos Beatles e dos Smiths. Cinco faixas foram disponibilizadas para download. São elas: "It's Good to Be Free", "Talk Tonight", "Cast No Shadow", "The Importance of Being Idle" e "Don't Look Back in Anger". É só o que toca aqui desde ontem, quando o meu querido amigo Gustavo Azambuja me deu um CD gravadinho de presente.
Olha aí um dos links pra download: http://www.maxalbums.com/mp3_album/198283/Noel%20Gallagher%20/The%20Dreams%20We%20Have%20As%20Children%20/
O Sarau Pornô de ontem foi engraçado e apresentou leituras novas (ou nem tanto). O profe Fischer, por exemplo, atacou de Kama Sutra, e agora já é possível identificar os oito tipos de beliscões que se pode aplicar durante o sexo, além de conhecer as particularidades das mulheres de cada região da Índia. Nossa querida amiga Anna me deu de presente um lindo par de patinhos do feng shui pra dar sorte no amor. O presente vai ser muto útil, Anna! Já durante e depois do show da banda de pornô rock Baby Doll, cujo guitarrista, Marcelo Cabeludo, trabalha na mesma agência que eu, a Anna virou a musa do vocalista, o Dr. Love. Foi amor fulminante mesmo. O Dr. Love falava com a Anna durante as músicas, deu o CD da banda pra ela, fazia perguntas, enfim, rolou um clima, ainda que só da parte dele, claro. Sentiu o poder dos patinhos do feng shui?
Que não seja como a alegria de pobre, que dura tão pouco. E nem vamos falar nos gols perdidos se a gente ganhou o jogo. Coisa boa acordar em um dia feliz!
A banda britânica Oasis acaba de confirmar em seu site oficial as seguintes datas da turnê de lançamento do mais novo CD da banda, Dig out your soul, no Brasil:
RIO DE JANEIRO - Citibank Hall – 7 de maio
SÃO PAULO - Arena Anhembi – 9 de maio
CURITIBA - Pedreira Paulo Leminski – 10 de maio
PORTO ALEGRE - Gigantinho – 12 de maio
Venda de ingressos para os quatro shows já começa no próximo dia 20, exclusivamente para clientes do banco Citibank, e a partir do dia 27 para o público em geral. Os ingressos poderão ser adquiridos pelo site da empresa Ticketmaster ou pelos telefones (11) 2846-6000 (São Paulo) e 0300-789-6846 (outros estados).
Amanhã vai ser outro día, amanhã vai ser outro dia, amanhã vai ser outro dia
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.
Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.
Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de desinventar.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.
E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você
(Apesar de Você, do Chico Buarque. Bota tema apropriado para esta quarta de esperanças.)
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Do Lula sobre o caso da excomunhão: "Acho que, neste aspecto, a medicina está mais correta que o bispo. "
Do padre e professor de Teologia Érico Hammes na Zero Hora de hoje: "Essa situação é muito complexa para sair pronunciando juízos absolutos. É muito escandaloso acusar a mãe e os médicos de terem incorrido em excomunhão, simplesmente. (...) Até os detentos tratam de forma muito diferente um assassino de um estuprador."
- Ele (o padrasto) cometeu um pecado gravíssimo, mas não está excomungado. Segundo a Igreja, o aborto é um crime mais grave ainda. A pessoa que comete o estupro, assalta ou faz tantos delitos graves que acontecem não é penalizada com a excomunhão. Mas o Código Canônico é bem claro com o aborto. Ele estabelece, em seu Cannon número 1.398, a excomunhão automática para quem o pratica. No caso da menina, permanecem excomungados os médicos, a mãe, que autorizou, e todas as pessoas que participaram do aborto - disse o religioso, acrescentando que a vítima só não está excomungada por ser uma criança.
Todo mundo deve saber, mas é o tipo da notícia que a gente precisa espalhar. O arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, excomungou a equipe médica que fez o aborto na menininha de 9 anos, grávida de gêmeos, que foi estuprada pelo padrasto. A menina, de 33 quilos e menos de 1m40, poderia ter ruptura de útero, hemorragia e bebês prematuros, além do risco de desenvolver diabete, hipertensão, eclâmpsia e de se tornar estéril. A mãe da menina também foi excomungada.
Pensando bem, a atitude do arcebispo é coerente com a omissão da igreja diante de todos os casos, comprovados, de padres pedófilos pelo mundo.
E depois a igreja não sabe por que está perdendo seus fiéis para outras religiões.
O amigo Leandro voltou do jogo de ontem indignado com os gremistas corneteiros da Social do Olímpico. Quando eu ia na Social sentia a mesma coisa, parece que ali se reúnem todos os técnicos de futebol mais sábios do mundo, todos dando palpites durante os 90 minutos. E xingando o time a cada instante. Lá em casa, acabamos passando para as cadeiras (ou virando cadeirantes, como diz a minha cria) muito por causa disso, mas é chato também. A média de idade é bem mais alta e além da turma reclamar do que acontece no campo, reclama também de quem fica de pé para assistir a partida. Começo a achar que ir ao jogo é chato mesmo, ou então isso é reflexo da nossa maravilhosa fase Celso Roth. Que, como era de se esperar, não decepcionou a nação tricolor e deixou escapar a vitória ontem. Desculpa a corneta, Leandro, mas deu para o nosso brigadiano de estimação.
"Quero muito que o Celso Roth continue no Grêmio. Em 2008 ele fez uma boa campanha com um plantel medíocre. Em 2009 o time está melhor e tem tudo para ir mais longe."
Celso Roth Facts (um oferecimento do colorado Eduardo Boldrini)
1.Celso Roth joga par ou ímpar com o espelho e perde. PEDINDO PAR!
2.O novo PES 2010 terá um novo modo: Very Hard, Hard, Médium, Easy,
Very Easy, Amateur e Celso Roth Mode
3.Os criadores de PES e Winning Eleven não colocam técnicos nos jogos
porque teriam que fazer Celso Roth, e o atributo “mentality” só vai
até o 1
4.O maior feito na carreira de um jogador de futebol não é fazer 1000
gols. É ganhar um título com o Celso Roth no comando do time
5.Se Celso Roth ainda não fez merda, é porque ele ainda não definiu a
escalação
6.Celso Roth não ganha a partida nem quando o outro time está com 6
jogadores em campo
7.Roth jogou roleta russa com um revólver completamente descarregado e
perdeu
8.Se o Roth tem 1000 reais na carteira e você tem 5 reais, você tem
mais dinheiro que o Roth
9.Roth perdeu o “Chuck Norris game”
10.Celso Roth perde mesmo quando faz Royal Flush
11.Roth jogou jogo da velha consigo mesmo e perdeu
12.Em Shrek, o papel do burro caberia inicialmente ao Celso Roth. Mas
o IBAMA protestou, alegando que era uma ofensa aos burros.
13.Celso Roth tem QI negativo
14.Os jedis podem controlar a mente de Celso Roth
15.Se você acertar em algo um dia, fique tranqüilo, você obviamente
não é Celso Roth
16.Celso Roth perdeu a virgindade depois do filho
17.Se você procurar no google por “Celso Roth ganha um título”, nenhum
resultado será encontrado, por motivos óbvios.
18.Celso Roth leva 90 minutos pra passar uma hora
19.A famosa frase de Einstein “Apenas uma coisa eu tenho certeza que
é ilimitada: a ignorância humana” foi dita depois que ele conheceu
Celso Roth
20.Roth perdeu para ele próprio jogando Football Manager
21.Celso Roth faz uma cebola chorar
22.Deus ora para que Celso Roth fique inteligente.
23.Celso Roth foi reprovado num vestibular onde apenas ele participou.
24.Dizem que a ilha de “Lost” na verdade é o cérebro de Celso Roth
25.Quando Celso Roth nasceu, o doutor em vez de dar um tapa nele, deu
no pai dele
26.Quando Saddam Hussein estava para ser morto ele poderia escolher
entre ser enforcado ou ver Celso Roth treinando seu time. Ele preferiu
a primeira opção.
27.Roth não é politicamente correto. Ele nunca está correto. NUNCA
28.Nos tempos de ditadura no Brasil as pessoas escolhiam se preferiam
ser afogadas e levar choque, ou ver Celso Roth treinando o seu time.
29.Celso Roth já teve outras carreiras além de treinador. Em 1929, ele
trabalhava na Bolsa de Valores.
30.Quando Celso Roth lê um livro, o livro fica burro
31.Para cada burrice cometida no mundo, Celso Roth comete mais oito
32.O diabo criou o inferno porque não suportava mais o Celso Roth
33.Conte até dez... Esse é o tempo que Roth demora pra fazer merda. 42
vezes.
34.O tamagochi do Celso Roth já veio morto.
35.Quando pensou que estava errado, Celso Roth acertou pela primeira
vez na vida.
36.Outras carreiras de Celso Roth? Ele já dirigiu um barco chamado
titanic, e recentemente pensou em mudar de profissão, ao tentar ser
piloto de avião da TAM
37.Celso Roth inventou a palavra “burrice”
38.Mandar o Roth pro inferno não adianta nada, muito pelo contrário,
pois você compra uma briga feia com o diabo.
39.Na bandeira do Brasil, as bolinhas vermelhas significam o número de
vezes que Celso Roth ganhou um título
40.Celso Roth só possui membros inferiores, afinal, ele nunca é
superior em nada
41.Sorte de hoje: Você não é Celso Roth
42. Se parece com galinha, cheira como galinha e tem gosto de galinha,
Celso Roth diz que é um bife
43.Celso Roth não tem reflexo no espelho. O reflexo tem vergonha de
aparecer
44.O cúmulo da burrice não é Celso Roth. E sim contratar ele para o
seu time
45.O teclado de Celso Roth não tem a tecla “Ctrl”. Ele nunca está no
controle!
46. Como disse o presidente americano Roosevelt: "Não temos nada a
temer a não ser o próprio medo. E Celso Roth treinar o nosso time.”
47.O estádio dos Aflitos tem esse nome desde que Celso Roth decidiu
treinar o Náutico
48.Dunga decidiu ser treinador quando Celso Roth disse que ele tinha
potencial
49.Quando Celso Roth fuma maconha, o baseado fica doidão
50.Jogando Counter Strike, Celso Roth morreu com um Flash Bang.
"ózifio eu daria a ele um destino dos meió, com o pescoço destroncado, acompanhado de um copo de mel, pinga e um monte de pipoca em volta. Ali onde seu Carlos Barbosa cruza com a dona Azenha.... saravá"
"Quer saber?? Eu mandava o Roth pra ser técnico da seleção da Argentina. Não do Boca. Desculpa aí Jimena! Até sugeri no blog do Grêmio pra fazerem uma promoção: pra onde vc mandaria o Celso Roth??"
"Cláudia, o duro é que provavelmente o Roth vai ganhar do Boiacó corococó, se classificar na 1ª fase da Libertadores, porém, como sempre, na hora do vamos ver ele vai inventar algo e botar tudo a perder... Assim como o Tcheco vai jogar bem umas partidinhas e na hora H vai sumir e ficar reclamando o tempo inteiro. Complicado também é: quem substituiria o Roth? Nossa verdadeira cruzada deve ser por 2 avantes. ATENÇÃO: mulheres gremistas tem entrada liberada no jogo desta quinta-feira."
"Tava me dando conta de mais um detalhe sobre os 2 Grenais. Os mesmos esquemas (3x6x1) foram utilizados. Qual a diferença então? William Magrão. Tudo bem, lá ele marcou contra, mas o Taisson e Nilmar tiveram a mesma liberdade pra jogar? Em ambos Grenais o 2º gol foi feito em jogada em cima de um jogador: Adílson. Os erros do Roth não absolvem a Direção tricolor. Temos SEIS atacantes e não há UM volante de contenção confiável. Onde está o nosso Dinho? Nada. E o Ruy(m) Cabeção que nem reserva tem?? Se conseguirmos passar da 1ª fase na Libertadores ainda poderemos fazer 3 alterações nos inscritos da Libertadores. Tenho inúmeras restrições ao Roth, mas agora, um pouco melhor da ressaca de domingo, tenho sérias dúvidas se a troca de treinador AGORA é a melhor solução para nós que estamos rumo ao TRI da Libertadores..."
"Estava pensando... não entendo muito de futebol, então me digam que títulos tem o Sexy em sua carreira. Bueno, o que importa: não é hora de testes, a Libertadores já começou e empatamos o 1º jogo, em casa. Fora Roth, o Grêmio precisa de alguém novo, linha dura, que nos leve ao título. Acho que time a gente tem, mas sem um técnico decente fica difícil. Vai acabar como em 2008: nós sem nada e os colorados com o Gauchão (que é melhor que nada, não?). Bjos e força gremistada, esse ano vai ser difícil."
Assunto fixo do blog: que destino vamos dar a Celso Roth?
Votem, votem. O luminar do futebol deve ficar no time, como querem Katia Suman, Ale e Cláudio Coloradaço, ou deve sair, como exige a gremistada toda? Depois eu vou imprimir as respostas, registrar lá no cartório da Mostardeiro e entregar no Olímpico. Chega de palhaçada.
Permanência de Roth passa pelo jogo contra o Boyacá Chicó
Técnico será cobrado pela atuação do Grêmio no Gre-Nal
A performance do Grêmio no Gre-Nal de domingo e a mudança para o 3-6-1 abalaram o prestígio do técnico Celso Roth no Estádio Olímpico. As alterações no esquema tático foram criticadas pelo vice de futebol André Krieger e pelo presidente Duda Kroeff, mas Roth segue no comando gremista, pelo menos até o jogo contra o Boyacá Chicó, no dia 11 de março, pela Libertadores. Se perder para o Boyacá, o treinador pode ser demitido.
Antes do jogo na Colômbia, a equipe porto-alegrense terá dois compromissos pelo segundo turno do Gauchão. Na quinta-feira, o adversário é o Ypiranga, no Olímpico, em partida antecipada da segunda rodada da Taça Fábio Koff. No domingo, o Grêmio enfrenta o Santa Cruz fora de casa. A tendência é de que Roth escale o time titular contra o Ypiranga e um time misto contra o Santa Cruz.
Roth será cobrado ainda nesta semana sobre o esquema 3-6-1 e a substituição do lateral Jadílson pelo zagueiro Héverton, um minuto depois do gol de empate no Gre-Nal, marcado por Alex Mineiro. De acordo com o repórter André Silva, da Rádio Gaúcha, a opção pelo 3-6-1 teria ocorrido antes mesmo do jogo contra o Universidad de Chile, pela Libertadores, quando o Grêmio jogou no 3-5-2 e apresentou grande poderio ofensivo, apesar do empate em 0 a 0.
Uma combinação de atraso maior que o permitido, congestionamento e todo mundo brigando dentro do carro nos impediu de ver o Gre-Nal como convidados no Beira-Rio, e terminou com a família toda arrasada diante da televisão. Com uma certeza: com o Celso Roth lá, a gente não vai chegar a lugar nenhum.
(Reclamações com o Theo, meu herdeiro universal. A piadinha é dele e eu adorei. Se alguém não lembrar, Noir é um atacante argentino que o Inter anunciou, anunciou, e no fim o cara não veio.)
Assisti em uma tevê tão pequena que nem deu pra entender direito os detalhes das roupas (é fútil, mas eu gosto). E ainda bem que, na tarde de ontem, vimos o Milionário em um cinema superlotado por aqui, pra concordar com a montoeira de prêmios que o filme levou na noite.
Pra quem gosta, bom sambão. Pra quem não curte muito, bom descanso. E pra todo mundo, esse texto do Verissimo sobre a data. Até quinta.
GUIA DO CARNAVAL
Luís Fernando Veríssimo
O turista que chega para assistir ao nosso Carnaval pode ter alguma dificuldade em entender o que está vendo e ouvindo nas ruas, nos bailes, nas transmissões de TV etc. e perderá muito do significado da nossa maior festa popular. Por isso estou republicando este pequeno guia para sua orientação e um glossário com as principais palavras e frases que ele ouvirá durante sua estada.
Atenção, turista.
Para começar, o que é “Carnaval”?
Bem, o Carnaval (pronuncia-se car-nah-val) já existia na Europa quando o Brasil foi descoberto, só que com roupa. Ele veio nas caravelas portuguesas junto com o nosso descobridor, Pedro Alvares Cabral (pay-dro al-va-rays ca-brawl), e aqui incorporou elementos nativos como bateria, baianas, bicheiros, cambistas e, claro, a principal contribuição do Novo Mundo ao rito milenar, a miçanga (miss-ang-ah). No calendário cristão, como se sabe, o Carnaval é a festa do “adeus à carne” que precede a Quaresma. No Brasil é a mesma coisa, só que a gente dá adeus à carne, dá adeus, mas ela não vai embora.
Quanto dura o Carnaval?
O Carnaval é um tríodo de quatro dias: Sexta, Sábado, Domingo, Segunda e Terça. Tem uma vez por ano, menos na Bahia, onde o atual Carnaval é o de 1948, que ainda não terminou.
O que são “escolas de samba”?
As escolas de samba (“samba schools”) são escolas públicas que, com a falta de apoio dado à educação no Brasil, foram obrigadas a buscar outras fontes de renda e hoje vivem de vender fantasias para turistas e depois desfilar para o turista não pensar que foi logrado.
Eu posso desfilar numa “escola de samba” sem saber sambar?
Sim, mas aí terá que ser Madrinha da Bateria. Não, Nigel, você não.
Como se chega ao Teatro Municipal?
Estudando, estudando muito.
Não, quero dizer para o baile.
Não existe mais baile do Municipal. Nem a revista Cruzeiro, nem o Evandro Castro Lima, nem lança-perfume Rodo e, olha, eu mesmo já estou desaparecendo de um lado.
Eis algumas expressões que você, turista, ouvirá durante os folguedos (fowl-gay-dos):
Oba (oh-bah) – Palavra de origem nativa. Ouvida pela primeira vez quando os tupinambás viram seu primeiro europeu, que em seguida comeram. Desde então ficou como manifestação prazerosa da expectativa de comer alguém ou alguma coisa, mesmo hipoteticamente (he-po-tay-etc.).
Epa (eh-pah) – O oposto de “oba”. Usada por quem ouve um “oba” e se apressa a esclarecer que não pode ser com ele.
Evoé! – “Oba!” em Juiz de Fora.
Ai! - Expressão de dor. Como “ouch” em inglês, “ai-o” em italiano, “merde” em francês e “grossenwienerzschzipel” em alemão.
Ui! – Expressão dúbia (doo-bia). Tanto pode ser de dor como de alguém cuja espinha dorsal está sendo riscada sugestivamente com um picolé. De qualquer maneira, mantenha-se a distância.
É um assalto! – Significa que você está sendo assaltado, por um meliante (may-lee-anti) ou por um político. Dá para distinguir o político porque, antes, ele pede o seu voto.
Polícia! – Termo de retórica, com pouca utilidade real.
E aqui está um pequeno dicionário com frases práticas que poderão ser úteis ao turista no Carnaval, caso ele se perca do guia:
Where is the american (ou italian, ou french etc.) consulate? – Estou apertado. Deve ter sido o angu. Onde tem um toalete por aqui?
How much? – Quanto?
WHAT?! – Tá doido!
No, I do not want to hold your ganzá – Manera, pô.
Do you take dollars? – Quer casar comigo?
Vous êtes très jolie – Quanto?
Voglio conoscere il vero Brasile – Bota uma pinga aí
Se fosse um mero torcedor, chamariam de maloqueiro
Do presidente do Inter, Vitório Piffero, sobre o pedido do Grêmio para transferir o Gre-Nal por alguns dias (cairia em uma segunda-feira) e não sobrecarregar tanto o time, que recém terá estreado na Libertadores: "Eles se dão bem na segunda. Segunda-feira nao é dia de série A". Isso que eu chamo de classe internacional.
Queridos amigos, voltei de mais um recesso parlamentar. Fiquei uns dias fora e encontrei o blog em plena atividade, inclusive com o contato da Jimena, para quem escreverei em seguida. Claro que eu quero publicar na tua maravilhosa terra, hermana Jimena! Peraí que já falamos!
Pois a entrevista do caderno Donna foi por causa da peça Dez (Quase) Amores, que volta no Porto Verão Alegre nos próximos dias 17, 18 e 19. E me fez relembrar o meu grande sonho infanto-juvenil, que era ser chacrete e usar aquelas lindas botas prateadas até as coxas. Roda, roda roda e apita, um minuto de comercial (alguém aqui já era nascido nesse tempo?)!
Anna, Sabrina, Rodrigo, Clarissa, Leandro, Ricardo e Sérgio na versão ganso (?), beijo pra vocês.
Recomendação de leitura: o romance O Leitor, que deu origem ao maravilhoso filme de mesmo nome com a Kate Winslet (só não precisava do empalhadão do Ralph Fiennes, mas quem sou eu pra achar isso...). Ganhei, aliás, do nosso amigo Marcello Berg, sempre um gentleman. O autor do livro é Bernhard Schlink, editora Record. Vale cada letra.
Minha frequência aqui no blog anda péssima. De envergonhar aquele tal Quintanilha, campeão de faltas no Senado. Uma vergonha. Pior que fiquei procurando assunto para postar e nada. Alguns drops, então.
.A série Conversas no Cofre do Santander Cultural encerrou no dia 29 com a casa cheíssima pra ver o José Miguel Wisnik falar de futebol-cabeção. Mas tudo muito pop e divertido, de uma leveza profunda, que é como o Wisnik se refere ao próprio livro, Veneno Remédio. Destaque para a presença do grande colorado profe Fischer.
.Mais milímetros de chuva em um dia que no ano inteiro. Essa foi a situação da minha cabeça ontem, pegando tempestade sem táxi, guarda-chuva ou dignidade em São Paulo.
.Filme bacana: O Leitor, mais uma história sobre o nazismo, dessa vez misturando literatura e uma história de amor que não existiria sem os livros. Pode não ter nada a ver, mas fiquei com saudade do Sarau.
.Quem tem filho em idade pra isso, ou irmãos menores, ou espírito pra coisa, amanhã, provavelmente, vai se irmanar no mesmo perrengue: pegar a estrada lotada pra ir ao Planeta Atlântida. Não conheço esses rapazes, mas os tais Vítor e Léo valem o sacrifício?
.Ou, como diz o Guto, um amigo pegador que eu tenho: freeway congestionada não é transtorno, é oportunidade.
Para o Vinícius e o Maurício, que foram ontem ao encontro Conversas no Cofre do Santander Cultural, onde a sapiência do professor Fischer e a minha pouca ciência receberam o Giba Assis Brasil para falar de literatura & cinema (e foi muito legal).
Maurício, lembrei do poema: Cantares da Sulamita, do Dalton Trevisan. O trecho que li está no livro A Gorda do Tiki Bar, da L&PM.
Vinícius, essa é a ordem em que eu li o Philip Roth, mas não é uma ordem cronológica. Comecei com Pastoral Americana (maravilhoso), que é de 1998 e ganhou o Prêmio Pulitzer. Aí enfileirei os outros dois que seguem a mesma linha, romances sobre a sociedade americana puritana e seus confilitos: A Marca Humana (de 2000, ótimo) e Casei com um Comunista (de 1999. Muita gente não gosta, mas eu adorei). Então li Complô contra a América, que não faz parte da trilogia anterior, mas bem poderia estar nela. Não é o meu preferido, mas não existe Philip Roth ruim, então vale (e muito) a leitura. Aí li O Complexo de Portnoy (1969), que é fantástico. O livro inteiro é o personagem Alexander Portnoy falando com o psiquiatra dele sobre sua relação com a mãe judia, o sexo, as mulheres, a família. Bom, esse é um dos livros mais perturbadores que eu já li na vida. Aí vieram os dois mais recentes (e que tu já leu), sob o tema da velhice: O Animal Agonizante e Homem Comum. Desculpa a profusão de elogios, mas o Philip Roth merece e os dois romances são absurdamente bons. Os seguintes: Adeus, Columbus (o primeiro livro do PR, de contos, lançado originalmente em 1959) e O Avesso da Vida, onde já parece Nathan Zuckerman, o mesmo personagem que vai morrer em Fantasma Sai de Cena (e que, segundo o próprio PR, é o derradeiro livro dele -tomara que o cara mude de idéia). Em espanhol li El Pecho, que não foi lançado no Brasil (acho que já vi a edição em inglês na Cultura, mas não tenho certeza -talvez tenha sido na Travessa do Rio, não lembro direito) e El Profesor de Deseo, os dois com o personagem David Kepesh, o mesmo d'O Animal Agonizante. Talvez eu tenha esquecido de algum título, mas acho que essa é meu set list do PR até o momento. No final de 2008 saiu ainda Entre Nós, um livro de ensaios e entrevistas com escritores feitas pelo Philip Roth.
Como diz o Rei: Eu voltei pras coisas que eu deixei. Muitas desculpas pela ausência prolongada, com as desculpas de sempre: trabalho, correria, mais trabalho e etc. Fiquei de informar aqui o livro de onde saiu o tradicional conto Sildenafil, aquele do marido que toma Viagra e sofre com os efeitos colaterais (se bem que a mulher do cara sofre bem mais...): Umidade, do Reinaldo Moraes, Companhia das Letras. Meus destaques de ontem: o Fischer lendo o Cardoso e a interpretação magistral da Katia Suman para o já clássico Caderninho de Nomes, do Rubem Fonseca, agora com a Andressa do conto falando em falsete. O convidado especial, Fabricio Carpinejar, veio direto do Beira-Rio e, na minha opinião, foi copiado pelo jogador D'Alessandro, que esculpiu o símbolo do Inter na parte de trás da cabeça -veículo de comunicação tradicional do Fabrício. A carta-testamento do Fabrício para o próximo locatário da casa 8 de um condomínio de Xangri-lá foi outro ponto alto da noite. Aí vai ela, transcrita diretamente de http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br.
CARTA AO PRÓXIMO INQUILINO
Arte de Arthur Bispo do Rosário
Fabrício Carpinejar
Não fui informado como você está sendo agora. Não tive a mesma sorte. Preencho a lacuna da imobiliária para que sofra menos do que eu. Sei que deve ter visto as fotografias da casa 8, apartamento simpático a uma quadra do mar, com dois quartos, dois banheiros, sala, cozinha e garagem. Localizada num condomínio creme, com poucos vizinhos. Sei também que deve ter reparado que tudo parecia no seu lugar. O apartamento não costuma se mexer na primeira visita.
Mas espere que ele se movimenta. Não conclua que é uma casa maldita: nenhum corpo foi enterrado nela. Não encontrei assombração e espírito maligno pedindo para mandar um sedex a um familiar sádico.
A casa se desloca como um estômago de uma baleia encalhada. Ela lhe dará trabalho. Muito trabalho. Aposto que já pagou adiantado - valerá como teste de seu senso de humor.
Não busque entender a ordem dos espaços. A geladeira fica na sala, distante da cozinha. A máquina de lavar foi alojada no segundo andar, dentro do banheiro. O varal é atravessando o quarto das crianças, na varanda. Não vai parar um minuto, garçom em sua própria residência, no vaivém da bandeja de roupas, de copos, de prendedores.
Acredita que exagero. Não experimente o liquidificador - não mexe a hélice, expelindo uma fumaça de motor queimado e faíscas assustadoras. Calma, a síndica pode emprestar um aparelho. Mais adiante, descobrirá que o chuveiro é um despertador. Depois de cinco minutos, a energia desaparece e a água gela. Desista de caçar uma ferragem aberta para trocar a resistência. Não é o caso. Brincará de mapa de tesouro. O objetivo é achar a caixa de luz. Esqueça os lugares mais evidentes, o hall de entrada e o corredor de acesso. Vai revirar o apartamento como um ladrão desesperado. A caixinha está no centro da sala (como?), acima da televisão, coberta por um prato pintado pela dona (quem mais senão a própria autora seria capaz de expô-lo?).
Com vontade de ir aos pés, perca a vergonha. Perca o nojo. Aviso educadamente: perca sua imortalidade. Não se despedirá do cagalhão com a cordinha da descarga, mesmo que suspire com a sucção do vaso, o borbulhar do pinho-sol e aceite a confortável sensação de impunidade.
Ao preparar o jantar, pisará num círculo do lado esquerdo. Pois é. É uma inofensiva tampa branca. Não subestime. Torço que - pelo menos - não esteja acompanhado da namorada e poupe seu destino de uma insuperável vergonha. Aquela marcação é uma fossa, que subirá e inundará o piso todo o dia. Voltará a enxergar o seu cagalhão. Agora no primeiro andar. Há um elevador de merda na residência. Unicamente a merda usa o elevador. Será obrigado a descer de escada. Ela chegará mais rápido. Não me faça perguntas difíceis. Não entendo a estratégia de um esgoto do lado do fogão. Muito menos memorizei claramente a combinação, arrisco hipóteses. Lavar a louça e ocupar o banheiro entope o poço. É um ou outro. Assim como a inundação cloacal resulta da simultaneidade da máquina de lavar com o chuveiro.
Trata-se de um apartamento com manhas, trejeitos, chaves de segurança. Feito para uma alma solitária. Três ou quatro pessoas na casa é o mesmo que dividir um banheiro químico. Compre estopas, detergente e seja amigo de infância do rodo. Tomadas pelo cheiro imundo, as moscas voam de ré.
Quando deitar para dissipar a série de desastres, prepare-se para o último golpe. Não invente de transar na cama de casal. Ela quebrará. Suporta somente sessenta quilos em repouso. O encaixe cede e a armação se desmancha. Dormirá no chão, uma garrafa vazia num engradado de madeira.
Afora isso, o resto está ótimo. Desejo um feliz veraneio. E, por favor, não quebre a corrente, avise o próximo inquilino. Quem sabe poderemos formar uma associação de sobreviventes da casa 8.
For me Formidable também lembra She, do Charles Aznavour, que lembra o Elvis Costello no final de Um lugar Chamado Notting Hill. O clipe é podre, mas o momento é lindo: http://www.youtube.com/watch?v=Oyck6zyDCMM&NR=1
Cena bacana do filme Sete Vidas: Emily, a mulher doente que precisa de um coração, canta For Me Formidable para o Will Smith/Ben Thomas. Um toque de romantismo que inspira passar o domingo todo ouvindo Charles Aznavour cantando em inglês com sotaque francês: you are the one for me, for me, for me, formidable. Não achei com ele cantando no palco, mas aí vai um link pra ouvir: http://br.youtube.com/watch?v=NXIgqfQCo3U